
“A história existe apenas se alguém a conta. É uma triste constatação. Mas é assim que funciona, e é talvez essa mesma ideia a me ligar à profissão — a ideia de que com cada pequena descrição de algo visto pode-se deixar uma semente no terreno da memória.”
Encontrei uma bela reflexão sobre a escrita da realidade no livro “Um adivinho me disse: viagens pelo misticismo do Oriente”, do jornalista e escritor italiano Tiziano Terzani.
Na obra, em que narra histórias de um ano inteiro que ficou sem voar de avião por causa da previsão de um adivinho, o jornalista reflete sobre o que, para ele, muito o fascina — e o inquieta — na profissão: os fatos não registrados, não existem.
Terzani observa que a constatação é “triste” porque teve a reflexão após observar quantos massacres, terremotos, torturas, vulcões que entram em erupção, pessoas que são perseguidas e mortas que, sem serem registrados, é como se jamais tivessem acontecido! “Sofrimentos sem consequência, sem história”, diz.
Contar e registrar fatos é importante como caráter de denúncia e transformação, e também como marcas de nossa vida na Terra. Será que nós, como seres humanos, conseguiríamos viver sem compartilhar o que nos acontece?
Tudo, absolutamente tudo que testemunhamos como seres únicos que somos, se não for compartilhado, é como se não tivesse existido.
Para que a “existência” de algo seja percebida pelos seres humanos, precisamos ver, ouvir, sentir, receber essas histórias — falo sobre a troca de informações, fatos, acontecimentos e ideias em geral pelos mais variados canais possíveis.
Se não quem perceba e conte as histórias, nem quem as receba, nada acontece na vida em sociedade. Viver como um ser humano é contar e ouvir histórias, o tempo todo.
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