vídeo Parteira canta ao bebê quando nasce: ‘a vida faz sentido se a gente crer que Deus tem um propósito para a gente’

Filha, neta e sobrinha de parteiras, a enfermeira obstetra Ivanilde Rocha, de 52 anos, tornou-se oficialmente “parteira domiciliar” há dez anos, após conhecer o chamado “parto humanizado” – que nada mais é do que atender as necessidades de cada mulher na hora de dar à luz, evitando intervenções desnecessárias e respeitando o tempo do bebê para nascer.

Antes, Ivanilde realizava partos apenas em hospitais e universidades – seguindo regras de “compêndios médicos”, disse, como faz a maioria dos profissionais da área. Ela exerce a profissão há 29 anos. “Eu rompi com todos os paradigmas”, afirmou.

Juntando todos os partos que já fez na vida – tanto em hospitais como nas residências – ela calcula aproximadamente 30 mil – desses, somente cerca de 100 foram de fato domiciliares. Ela é professora e diz que dedica grande parte de seu tempo às aulas, ensinando enfermeiras a realizarem o parto. Explica que nunca divulgou os partos domiciliares, o que faz por paixão quando é procurada (pelo boca a boca mesmo) – o que, aliás, acontece com cada vez mais frequência, disse.

Ivanilde Rocha, de 52 anos, é enfermeira obstetra há 29
Ivanilde Rocha, de 52 anos, é enfermeira obstetra há 29

O sentido da vida: ‘Deus’
Numa tarde de sexta-feira, eu fui até o Capão Redondo, na zona sul da cidade de São Paulo, para conversar com Ivanilde sobre o sentido da vida.

Ela me recebeu na casa dela com um sorriso no rosto e uma linda história de amor à profissão que fez eu imaginar: o sentido da vida de Ivanilde é dar boas-vindas às novas vidas que chegam… E ela dá as boas-vindas cantando! (se você não viu até o fim, há um trecho dela cantando no final do vídeo acima)

Religiosa, a parteira, por sua vez, fez a seguinte definição sobre o sentido da vida:

“Cada criança que nasce é uma grande emoção. Eu fico pensando, ao passar aquela criança para o colo daquela mãe, para o colo daquele pai, qual é o sentido da vida para esse ser que está começando? Eu acredito em Deus. Então, para mim, não faz sentido a vida sem Deus. Porque como é que começou? Essa partícula que é implantada lá no útero, e que cresceu e que agora estou dando na mão desses pais? (…). A vida faz sentido se a gente crer que Deus tem um propósito para a gente”, disse.

E com essa explicação, então, vai ver o propósito de Ivanilde é o de ajudar mulheres a parir… (aliás, só parei para pensar agora: por que o verbo ‘parir’ costuma ser trocado por ‘dar a luz’?)

Parto ‘humanizado’
Ela disse que “abraçou” a causa do parto humanizado e questiona a forma “massificada” como são feitos os partos nos hospitais, e que muitas vezes as mães acabam sendo influenciadas a fazer cesárias sem precisarem. “A mulher tem que se sentir capaz de parir. Se eu fui capaz de gestar, como é que depois de nove meses com esse neném, a mulher tem uma vagina assassina, que vai matar esse bebê?”

Afirmou que não é contra a cesariana, mas defende que a cirurgia seja feita apenas quando for necessária. Diz que no Brasil há hospitais onde praticamente a totalidade dos partos são com cesárias, e que a Organização Mundial da Saúde recomenda o índice de 15%.

“O meio médico ainda tem uma grande resistência, coloca a questão do risco de a mulher ter o neném em casa. Mas, na realidade, é fisiológico o parto, né? Se a mulher tem a gestação que é de baixo risco, ou seja, não tem diabetes, não tem problema cardíaco, fez o pré-natal, os exames estão todos ‘ok’… Os estudos científicos mostram que o risco é menor ou igual ao no meio hospitalar”.

Para quem ficou curioso sobre quanto custo ter o neném em casa, ela diz que costuma cobrar cerca de R$ 4,2 mil. O valor varia, contudo, de caso a caso e de parteira para parteira (disse que há parteiras que cobram um pouco mais, como R$ 5,8 mil).

‘Não tem como não se emocionar’
Com relação aos partos domiciliares que faz, afirma que não tem como não se emocionar, e que costuma chorar ao ver as crianças nascerem. Diz que todos os partos são especiais, mas um deles a marcou mais: um parto onde a mãe e o pai da criança eram cegos. “O jeito que eles receberam o bebê, sabe? Tateavam, porque parece que eles sentiam muito mais do que a gente (…). Então foi muita emoção, não tinha como não chorar. Esse parto marcou muito a minha vida.”

Para Ivanilde, o jeito como as crianças chegam ao mundo influencia, de alguma forma, na vida delas depois – mais um motivo para ela defender o parto normal, sem intervenções. “É o neném que escolhe a hora que quer nascer.”

Disse que na época que decidiu ser enfermeira obstetra o termo “parteira” soava pejorativo. “Hoje eu tenho orgulho de falar que sou parteira.”

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