vídeo A vida pedindo esmola na rua: ‘isso que eu tô passando é uma fase’

Ela fugiu de casa pela primeira vez aos 10 anos porque o avô batia nela. Treze anos depois, fugiu de novo porque o marido bebia e a espancava. O pai dela matou sua mãe quando ela nasceu. Três anos mais tarde, ele foi morto a tiros pela polícia. Ela já foi estuprada por um policial. Disse que já roubou e matou para sobreviver. Deficiente (tem o braço direito menor que o esquerdo), contou que é difícil conseguir trabalho. Por isso, na semana passada, hoje com 26 anos, ela estava na Avenida Paulista, com a filha de três no colo, pedindo esmola.

Foi difícil acreditar em tudo que essa moça me contou (preferi não revelar sua identidade e borrei a imagem para que ela não seja identificada).

Mas com a naturalidade e exatidão que tudo foi dito, é difícil também não acreditar… (veja no vídeo abaixo)

‘Hoje eu penso na minha filha. Ela é tudo para mim’

A moça disse que roubava quando era mais nova.

“Estou na rua desde pequena. Quando batia a fome, quando o desespero batia, o mais importante para a gente era roubar. Ninguém dava, ninguém ajudava. Nós queria (sic) dinheiro para comer, porque a barriga estava doendo, a fome estava apertando (…). Mas hoje eu não faço mais isso, não, graças a Deus.”

– O que fez você mudar de ideia?

“Hoje eu penso na minha filha. Ela é tudo para mim, tudo o que eu tenho na vida (…). [se for pega roubando] Daí eu vou perder ela para sempre. Isso daqui é tudo que eu tenho na vida, minha filha. (…). Pedir é mais humilhante, mas ao mesmo tempo é mais melhor (sic), porque você não vai presa, ninguém te bate.”

meninasCada dia de uma vez
Disse que nunca pensou em virar prostituta. “Hoje mesmo um cara me ofereceu R$ 40 para eu sair com ele, não aceitei”.

– E por morar na rua, nunca tentaram abusar de você?

“Eu fui estuprada por um policial da PM quando eu tinha dez anos. Lá perto da Cracolândia. Ele apontou o revolver na minha cara e falou: ‘ou você dá ou você morre. Daí eu tive que abrir as pernas para ele.”

– Já viu muita coisa ruim na rua?

“Já vi muita gente morrer, muita morte, eu tive que matar pra sobreviver”.

Não entendi muito bem a história sobre a vez que matou. Ela me contou assim:

“Foi uma mulher, tive que tacar fogo nela. Ela brigou com outra mulher, com a sapatona dela. Aí ela pegou e falou pra mim assim, ‘vamos descer lá embaixo que nós vai catar a outra’. Aí ela foi e jogou fogo no quarto inteiro, porque nós morava num prédio abandonado. Jogou álcool no quarto inteiro. Daí ela falou pra mim, ‘agora acende a vela se não eu vou te matar também’. Aí eu tive que colocar a vela e pegou fogo… Daí eu fiquei lá, olhando… ela chamava até meu nome, ‘me ajuda, me ajuda’, tive que matar pra sobreviver.”

Sobre o sentido da vida, a resposta veio meio vaga, mas depois de ouvir todo o seu relato, confesso que o depoimento já bastava por si só.

– Qual é o sentido da vida para você?

“Pra mim isso daqui que eu tô passando é uma fase, que vai melhorar e Deus vai me abençoar (…). A gente vai ficar andando aí sem ninguém ver a gente até o dia do juízo final. O dia em que Deus voltar e falar, ‘agora eu vou resolver o que vou fazer com vocês.”

“Cada noite que a gente coloca a cabeça [no travesseiro], a gente nem pensa. A gente fala assim, ‘amanhã eu vou ver o que eu vou fazer’. Aí, deu na telha de vir para a [Avenida] Paulista, nós vem (sic) para a Paulista. Deu na telha de ficar lá, nós fica (sic) lá. Deu na telha de ir para outro lugar, nós vamos para outro lugar. É assim…”

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