
Dona Maria dos Anjos tem 62 anos de muito trabalho. Aposentada, ela ainda trabalha “só de vez em quando” distribuindo panfletos no farol, para não perder o costume. É o serviço que apareceu para passar o tempo. Disse que já trabalhou com muita coisa e até já pegou papel na rua (veja abaixo o vídeo com o depoimento dela).
“Eu já recebo aposentadoria, mas eu faço um ‘trabalhozinho’ assim para não ficar dentro de casa. Mas não é sempre que eu venho, não. Porque todo mês eu recebo. Então pra que eu ficar me esforçando andando aqui e ali? Só venho quando eu estou com vontade de vir, porque eu sempre trabalhei, né?”
E qual é o sentido da vida para a senhora?
“Trabalhar”
– O sentido da vida pra senhora é trabalhar?
“É. Às vezes pegar uma folga, ir na missa…”
– Mas o que a senhora mais gosta de fazer?
“Ah, trabalhar, né?”
Ela aprendeu a pegar no batente logo cedo. “Quem não trabalha é preguiçoso, gosta de vida fácil. Minha mãe me criou numa vida custosa, hoje eu não fico parada.”
Nunca se casou, porque não achou pessoa “competente” o suficiente. E nunca fez falta, disse. “Nunca casei, não. Mas tenho uma porção de filhos”. Foram seis. Um deles, porém, morreu recém-nascido.
Disse que os filhos, contudo, não dão trabalho: “Já tá tudo maduro, já. A mais nova vai fazer 21 anos.”
– Todos já trabalham?
“Tudo trabalha.”
