Musa da Vai-Vai, Cinthia Viana representou anjo no desfile e diz que sentido da vida é Deus: ‘antes de entrar na avenida, eu oro’

Foto: Matheus Siqueira
Musa da Vai-Vai, Cinthia Viana representou anjo no desfile deste ano (Foto: Matheus Siqueira)

No desfile da escola de samba paulistana Vai-Vai de domingo, a musa Cinthia Viana, de 30 anos, desfilou vestida de anjo, representando a música “Se eu quiser falar com Deus” – o enredo homenageou a cantora Elis Regina, que gravou a canção na década de 1980, composta por Gilberto Gil.

A letra é bastante conhecida, mas para quem não se lembra ou nunca ouviu, um trecho é: “Se eu quiser falar com Deus/ Tenho que me aventurar/ Eu tenho que subir aos céus/ Sem cordas pra segurar/ Tenho que dizer adeus/ Dar as costas, caminhar/ Decidido, pela estrada/ Que ao findar vai dar em nada (…)/ Do que eu pensava encontrar!”

De certa forma, Cinthia estava representando as próprias crenças no desfile. Ela me contou que é muito religiosa e coloca Deus em primeiro lugar em sua vida. “Eu acho que tudo na vida tem que ter fé. Eu coloco, para tudo, Deus na minha frente. Antes de entrar na avenida, eu oro”, respondeu, após eu perguntar a ela qual é o sentido da vida.

Criada numa família evangélica, disse que frequenta a igreja desde pequena. “Os dias de hoje são muito complicados. Agora com a escassez da água, as coisas acontecendo, os anos estão passando muito rápido. Se você não andar de maneira mais leve e com fé, as coisas ficam mais difíceis.”

Frequenta a Congregação Cristã e disse que sua religião nunca conflitou com o samba. “Não tem nenhum tipo de conflito. Cada um tem sua religião dentro do samba. Você respeitando as pessoas e aceitando as pessoas, não tem problema.”

E não é só antes de entrar na avenida que ela ora. “Faço isso sempre em tudo que vou fazer e em qualquer lugar que vou, levo isso, e paciência para lidar com as pessoas, a fé.”

‘Nasci com esse fogo’

Foi por telefone que a musa me deu a entrevista na semana passada. Eu liguei na Vai-Vai em busca de conversar com alguém “do samba” sobre o sentido da vida, por conta da proximidade do Carnaval. Cinthia atendeu ao telefone e aceitou me contar sua história.

Jornalista por formação, ela trabalhou por cinco anos como assessora de imprensa do Carnaval de São Paulo, na União das Escolas de Samba Paulistanas, e atualmente é secretária da Vai-Vai.

Disse que sempre foi apaixonada por Carnaval, apesar de seus pais não gostarem de samba. “Carnaval é uma coisa que a gente não procura, a pessoa já nasce gostando do carnaval, ele já nasce com você.”

A mesma opinião ela tem sobre a escola de samba, diz que não é o sambista que escolhe a escola, mas sim a escola que o escolhe. “É uma coisa de coração. É que nem time de futebol, é uma coisa que você gosta. Eu, por exemplo, sou Vai-Vai e não vou deixar de ser, mesmo se sair da escola.”

Perguntei a ela o que a levou a gostar tanto de samba. “É o brilho no olhar, o amor por estar desfilando na escola de coração, é só isso. Não tem muito o que enfeitar, o que falar. Estou aqui porque gosto. Na minha família ninguém é sambista. Minha mãe nunca gostou, mas ela me apoia. Minha mãe nem sabe sambar, nem meu pai. Eu nasci com esse fogo.”

‘Ziriguidum’

Foi aos 16 anos que ela desfilou pela Vai-Vai pela primeira vez. Contou que participava de um concurso de beleza negra e foi vista por integrantes da escola que a convidaram para participar do desfile daquele ano. Depois disso, desfilou por muitos outros anos pela escola, sendo os dois últimos deles como destaque de chão.

Ser uma musa de destaque na Vai-Vai, aliás, não é para qualquer uma, garantiu. Não basta apenas ter um corpão – o que Cinthia também tem – mas ter história na escola, samba no pé e paixão pelo que se faz. “Se não tiver um ‘ziriguidum’, um ‘tagaragadá’, ela sai”, sentenciou.

Cinthia explicou que são 10 musas que desfilam pela escola, todas que acompanham a Vai-Vai há anos. “Você tem que gostar de ser sambista, tem que ir nos ensaios, participar, saber o que significa o nome da escola, e não só estar lá para aparecer.”

Corpo de musa

E é claro que o corpão também é muito importante. Afinal, musa é musa. E Cinthia explicou que cuida muito bem do dela para estar em forma para o Carnaval – tanto nas curvas quanto no preparo físico para aguentar o samba.

“Faz cinco meses que não estou comendo muita coisa. Não como arroz branco, só integral. Tomo suco de couve, como batata doce. Sem refrigerante. Assim, o que a gente faz é evitar comer, não que não possa comer”. Além disso, frequenta academia de ginástica, corre e faz tratamentos em clínicas de estética. Disse que os ensaios começam em agosto e, aos poucos, o corpo vai pegando resistência para aguentar o samba no dia do desfile.

E com tanto preparo físico, explicou que a principal preocupação com relação ao desfile não era segurar o samba no pé – pois garante ter preparo – mais sim sentir-se bem com a fantasia. “Para ver se está tudo certo, se a fantasia vai ficar confortável para sambar, só fico ansiosa com isso. É todo um aparato, minha preocupação é estar impecável.”

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