Qual seria o sentido da vida para Antônio Abujamra? – A entrevista que eu não fiz

'Que é a vida?'
‘É preciso ter a dor de sentir que a vida não tem roteiro e na vida não existe nada seguro. Quem gosta de abismos tem que ter asas, cuidado minha gente, isso é ‘Provocações’.’ – Abujamra (Foto: Reprodução/TV Cultura)

Eu gostaria muito de ter perguntado qual é o sentido da vida para Antônio Abujamra. Tivesse eu ao menos tentado, e não lamentaria tanto agora.

Não tentei, ele se foi, e fica a pergunta sem resposta: “Que é o sentido da vida, Abu?”

Muitos podem dizer, aliás, que ele já respondeu: “A vida é uma causa perdida” – bordão que costumava repetir.

Oras, só que “que é a vida?”, pergunta que ele fazia semanalmente a seus entrevistados, não é a mesma coisa de “qual é o sentido da vida?”

A pergunta “que é a vida” dá a vida a conotação de “ser” algo. Já “qual é o sentido da vida”, por sua vez, de ocorrer “para algo”.

Bom, nesse aspecto, há outra frase dele que pode cair bem como resposta: “é caminhar no incerto e idolatrar a dúvida, minha cara!”

Eu não sei se algum dia Aburamja falou exatamente sobre o sentido da vida (e se falou, por favor, me passem!).

Mas talvez nem precisasse…

Diante da impossibilidade de fazer uma póstuma entrevista, colhi algumas frases dele que encontrei sobre o assunto como homenagem ao detentor de um dos bordões que mais repeti internamente para mim mesma recentemente: “Enforque-se na corda da liberdade!”

Será que as frases me dão alguma pista?

“É preciso ter a dor de sentir que a vida não tem roteiro e na vida não existe nada seguro. Quem gosta de abismos tem que ter asas. Cuidado minha gente, isso é ‘Provocações’.”

“Você olha para o passado ou para você mesmo? Não se preocupe, a vida é assim mesmo, por isso é preciso dar um espaço para o costume.”

“A essência do meu progresso estava em poder aceitar a minha decadência. Ou seja, progredir até morrer, porque viver é morrer. E não me arrependo de nada.”

“É preciso sempre não fazer as coisas que sejam piores que as piores que já fizemos. Não é fácil, mas tem jeito para tudo, até melhorarmos.”

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Um comentário

  1. Bacana seu texto!
    Outro bordão que ele sempre dizia é “idolatrando a dúvida”, creio que respostas não seriam suficiente para ele, pelo seu simbolismo de importância generalizada, ele com certeza reverteria a questão pro interlocutor, ao estilo socrático…

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