Minha mãe e os pacotes de papel higiênico

Uma crônica sobre o maior amor do mundo

Há alguns anos, abriu uma unidade de um atacadista perto da casa da minha mãe e ela pegou o costume de comprar certos produtos no atacado. Entre eles, pacotes de papel higiênico. Diz que comprar vários de uma vez sai mais em conta e, desde então, quase sempre que me visita, junto com os costumeiros potes das comidas que prepara só pra mim, deixa sobre meu sofá um pacote com vários rolos.

Quando esquece, lamenta-se, com a mão na cabeça: “ah, filha, esqueci do papel higiênico!” Digo que não tem importância, mas ela insiste: “pago mais barato, é bom que você economiza”. Faz o mesmo com o meu irmão, pois vira e mexe ela comenta que deixará um pacote pra ele também. 

Nem me lembro da última vez que precisei me preocupar em comprar papel higiênico porque na maioria das vezes ela traz um pacote novo quando o antigo ainda não acabou. Já aconteceu até de eu acumular dois pacotes e reclamar por não ter onde guardá-los, como pude? 

Já as comidas, não reclamo jamais. Minha sempre gostou de cozinhar. Na minha adolescência, era impossível resistir às suas tortas, bolos, rocamboles, pizzas, sobremesas, pães de queijo. Ela tinha uma receita de sonho que ficava delicioso. Fritava um a um e eu a ajudava a rechear, lambendo o creme da panela com a colher. 

Nos meus aniversários, um dos presentes era eu escolher o menu do dia, além do indispensável bolo de chocolate, cada ano de um jeito diferente. 

Agora, desde que virei vegana, ela aprendeu receitas de bolos deliciosos com farinha de amêndoas. Sempre que me visita, traz um tupperware com alguma guloseima vegana nova. Uma delas foram biscoitinhos salgados, que me entregou num potinho de vidro florido com tampa vermelha e disse que eu podia ficar com o pote também.

Da última vez, chegou com as duas toalhas limpas que pedi pra ela me ajudar a tirar as manchas. “Lavei duas vezes, filha, mas não saiu tudo, impregnou”, lamentou-se. Junto, entregou-me uma bucha vegetal nova que eu precisava. Ela não pôde comprar e trouxe a que tinha guardada em sua casa. Entregou-me junto com o pacote de papel higiênico e uma dose inesgotável do maior amor do mundo.

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