Mundo cor-de-rosa: uma crônica sobre minha cor preferida

Quando criança, minha mãe, cheia de boa vontade, quis sair do clichê cor-de-rosa e decorou meu quarto em tons de verde. Uma linda colcha verde água caía sobre a cama, com uma almofada de coraçãozinho da mesma cor por cima. O tapete e o estofado da banquetinha também eram esverdeados e a cortina, para destoar, era branca com ursinhos marrons de roupa amarela. 

Grande parte das mães de hoje aplaudiria de pé a postura revolucionária de Dona Eliete naquela década de 1980, mas eu sempre gostei mesmo é de rosa.

Assim que pude palpitar, pedi pra mudar tudo. Pintamos as paredes de rosinha. Quis cortina rosa, colcha rosa, edredom rosa, tapete e toalha rosas. Meus materiais escolares eram rosa. Eu tinha all-star rosa choque, blusas pink. Não que vivesse monocromática, pois enjoava. Mas todo acessório, necessaire, escova de dentes ou pentes de cabelo sempre tiveram cor predefinida.

Pesquisei o significado do rosa em referências ao clássico livro “A psicologia das cores”, da socióloga e psicóloga alemã Eva Heller. O rosa é a mistura da pureza do branco com o fogo e a paixão do vermelho. Está associado à sensibilidade e às virtudes do meio-termo, da doçura, ternura e amor altruísta. 

Talvez por essas definições, gostar de rosa está fora de moda no mundo atual, onde as pessoas andam enérgicas e descrentes demais para dar uma chance à sua energia pacífica. 

Viver num “mundo cor-de-rosa” virou sinônimo de ingenuidade. Na luta contra o câncer, a fitinha rosa gera indignação nas pacientes, que reforçam que a realidade da doença não tem nada de “cor-de-rosa”. Mulher que gosta de rosa é vista como Poliana e ingênua — já os homens devem usá-lo, pois assim quebram tabus de gênero.

Diante de tantas conotações negativas, já cheguei a pensar que nem gostava tanto assim de rosa, mas era mentira. Eu gosto. O rosa me energiza e me traz força, me conecta com minha intuição e sensibilidade.

Para além de significados, me faz bem, tal como fazia quando, criança, quis mudar a cor do quarto sem saber que rosa era cor de “menininha”.

É com clareza rosada que hoje digo: o mundo é meu, dou a ele a cor que eu quiser, e ele é cor-de-rosa, sim. 

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