vídeo Da ‘crise profissional’ da geração Y ao seu sentido da vida: ‘quero ter um artigo no Wikipédia’

“Não sinto verdade no que eu faço”; “queria me sentir mais útil”; “meu trabalho não faz sentido para mim, não dá ‘brilho nos olhos.’ Frases desse tipo aí soam nos meus ouvidos diariamente, saem da minha boca e estão dominando meus pensamentos. Elas vêm de amigos, colegas de trabalho, pessoas que acabei de conhecer – todos mais ou menos na mesma idade que eu – tenho 27.

A impressão que dá é que a quantidade de jovens insatisfeitos com a vida profissional supera – e muito – a daquela que está realmente satisfeita (tá, não posso deixar de frisar que grande parte da minha rede de relacionamentos é composta por jornalistas, e a profissão não anda lá muito bem das pernas…)

Recentemente, li um artigo sobre a crise da geração Y (os nascidos entre o final da década de 70 até meados da década de 90). O texto cita que os jovens de hoje querem ser “especiais” de alguma forma, mas acabam frustrados com a dificuldade em ter êxito – o artigo foi, da mesma forma, bastante compartilhado por meus amigos no Facebook (leia aqui).

Aproveitei a “deixa” para conversar com os jovens sobre o assunto – e emendei, claro, a pergunta sobre o sentido da vida. Confesso que dei “uma influenciada” e perguntei:  você não acha que os jovens de hoje em dia estão muito angustiados em querer ser ‘algo mais’, fazer alguma diferença no mundo? 

Seguem abaixo as respostas (vá em frente que depois do vídeo ainda tem um texto!):

“Eu me preocupo muito com o futuro, porque se não a vida é vã (…). Eu quero deixar uma marca. Não queria morrer e pronto. Daqui a duas ou três gerações, quem fui eu um dia? E ninguém saber… Eu queria ter um artigo no Wikipedia, sei lá, falando de um grande artista, alguma coisa assim. Deixar uma marca para que minha passagem não tenha sido vã, acho que seria interessante ter algum livro ou uma obra minha aí, para ficar para trás”, disse o estudante de cinema, Mateus, de 20 anos.

Baiano, ele estava de passagem em São Paulo quando parei para conversar com ele. Me contou que está no oitavo semestre do curso de cinema e pretende seguir a vida acadêmica, fazer mestrado e ser professor – tendo em vista o restrito mercado de trabalho em sua área.

Mateus, Alana e Hebert
Mateus, Alana e Hebert

A estudante e operadora de telemarketing Alana Cristina, de 16 anos, disse que os jovens de hoje em dia “são mais independentes”, querem sua “liberdade”, conquistar o seu espaço.

Ela revelou que é de uma família de classe média baixa e, por isso, resolveu começar a trabalhar cedo por vontade própria para ajudar sua mãe. “Eu me esforcei na escola, fiz curso de administração, turismo, informática. E consegui um emprego para mostrar para minha mãe que tenho capacidade”.

“Eu via o esforço da minha mãe que criou eu, minha irmã e meu irmãozinho sozinha, sem criação de pai perto (…). Ela não deixava faltar o arroz e o feijão dentro de casa, eu vi que eu estava crescendo e precisava ajudar ela”, disse.

Alana revelou que está em dúvida sobre a carreira que quer seguir no futuro: publicidade ou contabilidade.

Contou, também, que já se interrogou várias vezes sobre o sentido da vida e a conclusão que chega é que a vida é bela. “Só vejo a beleza que é a vida. Tem pessoas que quase nem andam, nem falam, e a gente que fala e anda ainda reclama muito, reclama até demais da vida (…). A conclusão para mim é que a vida é bela, se a vida fosse perfeita não teria graça”, disse.

Falei também com o analista de produtos Hebert , de 27 anos. Ele concordou com a visão de que os jovens hoje em dia estão mais inquietos. “As pessoas estão ficando mais críticas. Isso é fato. Antes todas as pessoas recebiam ordens e faziam. Agora, aos poucos, estão reclamando, ‘poxa poderia ser de outra forma né’. A tecnologia também está ajudando muito nisso. A pessoa pode publicar essa questão, antes não tinha muito isso, né?”

Ele disse que resolveu ser analista de produtos (elaborando embalagens)  para “elaborar as coisas que as pessoas gostam”. “Porque afinal nós somos todos consumidores, né? Eu quero fazer uma coisa que seja o máximo para mim e para todos (…). É a forma de uma pessoa apresentar uma coisa. Você percebe na roupa, até na rua. Começa a perceber em tudo em volta que todo mundo faz uma coisa analisando, com estratégia, de um mofo que todo mundo sinta-se a vontade”.

Sobre o sentido da vida, falou sobre a importância de se fazer metas, objetivos.

“De um lado pessimista, tem aquela questão de ‘acorda, faz o serviço, almoça, faz o seu serviço, janta, estuda e dorme’. Esse é o lado pessimista de alguma situação. Mas o lado bom, a parte otimista que eu tenho, é que nós acordamos, trabalhamos, estudamos, para ter algum objetivo. Se não tiver nenhum objetivo na vida,  só vai ficar nesse dormir e acordar.”

E continuou: “o sentido da vida é você também preservar o que tem né. Tem aquela frase, ‘tudo que é de graça as pessoas não dão valor. Tem que martelar isso na cabeça que tudo que existe na vida tem valor sim, e a pessoa tem que sentir feliz com isso.”

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