Ex-alcoólatra e com 70 anos, ele vende guarda-chuva por princípio: ‘O sentido da vida? Não prejudicar ninguém e trabalhar honestamente’

Seu Antônio disse que teve a ideia de comprar a cinco e vender por dez com Silvio Santos
Seu Antônio disse que teve a ideia de comprar a cinco e vender por dez com Silvio Santos

Quando voltou a chover no fim da tarde deste domingo, Antônio Francisco de Souza, de 70 anos, se “materializou” na frente do shopping Paulista para vender guarda-chuvas.

Eu sempre observei com curiosidade esses vendedores que surgem nas saídas dos lugares quando cai o primeiro pingo d’água.

Seu Antônio me explicou que saiu de casa com antecedência, pegou o ônibus e deixou as dezenas de guarda-chuvas guardadas com colegas num posto de gasolina até a chuva forte a começar.

Vendia a rodo o valioso produto a R$ 10 aos endinheirados, mas desprevenidos clientes.

“Vendo cada um por R$ 10. Eu pago R$ 5,50 no guarda-chuva na 25 de março. Não é muito, ganho R$ 4,50 em cada. Mas só ganho esse dinheiro quando chove”.

Disse foi o apresentador Silvio Santos que o deu a ideia de ‘comprar por cinco e vender por dez’.

“Silvio Santos me deu essa ideia em 70, quando eu era manobrista na Alameda Santos (…). Eu pegava o Mustang dele na porta do restaurante e levava para o estacionamento. Um dia fui cumprimentar e chamei ele de doutor. Ele, bom na gorjeta, falou ‘eu não sou doutor, sou Silvio Santos. Comigo cinco é cinco e dez é dez. Se você ficar duro, compre por cinco e venda por dez.’”

Alcoolismo
Baiano, seu Antônio vive em São Paulo há 48 anos. Aposentado, disse que recebe apenas um salário mínimo. Contou que chegou a vender gado na Bahia até os 20 e poucos anos, mas “bebeu” todo o dinheiro.

“Eu não morri foi muita sorte. Eu passei de tudo na rua. Perdi emprego por causa da bebida alcoólica, bebia dia e noite”.

Certa manhã, bêbado, ele estava deitado na rua na frente do Hospital Santa Catarina, na Avenida Paulista, quando uma moça que trabalhava no hospital o viu.

“Eu estava na parede caído, dormindo. Era 7h da manhã. Quando era meio dia, ela saiu para o almoço e eu estava a mesma coisa. O sol estava muito quente, minha cara entortando para a direita e para a esquerda, eu estava passando mal. Ela pediu uma ajuda, me deixou na sombra e me orientou para ir no Alcoólicos Anônimos”.

Seu Antônio foi, chegou a ter uma recaída, mas depois passou por um tratamento com um “coronel” psicólogo. “Se não fosse ele eu não estava vivo (…). Quando fui ao coronel foi minha saída, não bebi mais”.

Parou de beber há 20 anos, quando nasceu seu filho mais novo, Rafael. O mais velho, Gabriel, tem 34. Formado em Direito, vai prestar o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), contou, orgulhoso, o pai. O aposentado disse, ainda, que “namora” há 35 anos.  “A dona Camila. Irelete Camila o nome dela.”

– Seu Antônio, o senhor já parou para pensar qual é o sentido da vida?

“Não… O sentido da vida? Eu procuro não prejudicar ninguém, trabalhar honestamente. Se estou sem dinheiro e preciso de dinheiro, aí eu vou trabalhar.”

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Um comentário

  1. Incrível ver como algumas pessoas fazem diferença na vida de outras. O “coronel”, se não fosse dedicado, não teria ajudado o seu Antônio… que demais!!!

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