Meu pai, a pessoa que me ensinou que o sentido da vida está nas coisas mais simples, como andar de bicicleta

'Sinto que hoje devo continuar caminhando e conduzindo a minha vida que sem a minha família não teria sentido, sempre no caminho do bem, do trabalho e do amor', diz meu pai
‘Sinto que hoje devo continuar caminhando e conduzindo a minha vida, que sem a minha família não teria sentido, sempre no caminho do bem, do trabalho e do amor’, diz meu pai

Quando era pequeno, meu pai me contou que o sonho dele era ter uma bicicleta para pedalar na rua com os amigos. Naquela época, meus avós não tinham dinheiro para comprar uma para ele, que precisou se contentar com um carrinho de rolimã.

Muitos anos depois, lembro-me quando eu era bem pequena, devia ter uns quatro anos, e ele fez uma surpresa: chegou em casa com uma bicicleta cor de rosa, daquelas ‘Caloi Ceci’ (com uma cesta na frente, veja na foto abaixo), e me deu de presente. E foi assim que eu aprendi a andar de bicicleta e sentir aquela gostosa sensação do vento batendo na cara.

Mais tarde, quando eu e meu irmão já éramos adolescentes, ele comprou uma bicicleta nova (daquelas com marcha) para cada um da família: uma para mim, uma para meu irmão e uma para a minha mãe. Meu pai, claro, já tinha a dele. A intenção era andar de bicicleta nos finais de semana juntos.

Fomos algumas vezes, mas a ideia não foi muito para a frente: minha mãe sempre teve medo de pedalar. Meu irmão gostava mesmo era de jogar videogame. E eu, bom, eu gostava de andar de bicicleta, mas na época não entendia muito bem aquela história de andar com a família toda unida – eu queria mesmo era pedalar com minhas amiguinhas.

Eu só fui entender essa história da bicicleta hoje, aos 28 anos, quando resolvi perguntar para o meu pai o sentido da vida para o texto em homenagem a ele pelo Dia dos Pais.

Ele contou sobre seu objeto de desejo na infância logo no começo da resposta, em alusão à realização de sonhos: “Eu achava que não teria futuro e queria apenas brincar com carrinho de rolimã, empinar pipa e principalmente andar de bicicleta. Este era um sonho caro que meus pais não podiam dar. Enquanto isso, me divertia andando nas bicicletas dos meus colegas enquanto eles jogavam bola no campinho”, revelou.

Vida simples
Meu pai sempre foi um homem simples e justo – ouso dizer que uma das pessoas mais honestas que conheço. Ele sempre conta que nunca gostou de estudar e acabou se tornando ferramenteiro (o que, de qualquer forma, exigiu estudo). Foi com essa profissão que ele pagou a faculdade do meu irmão e minha, além de cursos que fiz quando adolescente, como inglês e teatro.

Hoje, Jaime José Gasparin tem 56 anos, é aposentado, mas ainda trabalha com algo muito parecido: é marceneiro e faz belos móveis sob medida, muito disputados pela clientela.

O principal passatempo dele é passar os finais de semana na praia, onde gasta boa parte das horas livres andando de bicicleta – o que eu sempre o vi fazendo desde criança.

Sentido da vida
Ao final da resposta sobre o sentido da vida, meu pai disse que um dos orgulhos e sentidos da vida dele é a nossa família. Além de citar Deus o tempo todo – meu pai sempre teve muita fé.

“Meu maior orgulho é ver meus dois filhos formados numa faculdade e vivendo dos seus próprios esforços e a minha esposa que completa esse orgulho. Sinto que hoje devo continuar caminhando e conduzindo a minha vida que sem a minha família não teria sentido, sempre no caminho do bem, do trabalho e do amor”, disse meu pai.

Fico muito contente em saber que eu faço parte de um dos orgulhos e sentidos da vida de meu pai (é claro que, sinceramente, eu já desconfiava disso).

Mas, sinceramente, eu é que tenho orgulho de ter um pai como ele.

Umas das principais qualidades do meu pai é hoje as coisas que mais admiro nas pessoas, a honestidade e a simplicidade. Nunca o vi dando muito valor a bens materiais. Pelo contrário, ele sempre nos ensinou o oposto. O que há de mais simples nos dias de hoje do que sair por aí, andando de bicicleta?

Obrigada pai por ter me ensinado um dos verdadeiros sentidos da vida
(e para quem não entendeu qual é, sugiro pegar uma bicicleta e sair por aí pedalando sem rumo, só apreciando a paisagem em volta!)

Te amo muito, pai!
Feliz Dia dos Pais

Essa eu (acho que tinha uns 6 anos) com a bicicleta que ganhei de presente do meu pai
Essa sou eu (acho que tinha uns 6 anos), com a primeira bicicleta que ganhei de presente do meu pai

E qui está a mensagem que meu pai me escreveu sobre o sentido da vida:

“Sentido da vida é um termo difícil de definir, pois para mim é olhar para trás e ver que Deus fez e faz maravilhas em minha vida.

Quando moleque pensava: ‘o que será da minha vida?’. Não gostava de ler, muito menos de estudar. Achava que não teria futuro e queria apenas brincar com carrinho de rolimã, empinar pipa e principalmente andar de bicicleta. Este era um sonho caro que meus pais não podiam dar. Enquanto isso, me divertia andando nas bicicletas dos meus colegas enquanto eles jogavam bola no campinho.

O tempo foi passando, a mocidade chegando, comecei a frequentar a igreja, a participar das missas e da comunidade de jovens. Foi aí que percebi que lá atrás, na minha infância, quando conversava sozinho em querer saber o que seria da minha vida no futuro, comecei ter algumas respostas. Vi que era Deus que estava comigo traçando meus passos, me conduzindo sem que eu percebesse.

Nas minhas conversas com Ele, ainda sem um rumo certo, pedia para Ele que eu queria ter uma namorada, que com ela me casaria e teria filhos, e enfim formaria uma família. Achava bonito ver a vida dos meus pais lutando com muita dificuldade para nos criar. Via na simplicidade deles uma beleza que podia ser copiada para a minha vida.

Não gostava de trabalhar em escritório, mas para meus pais era o melhor futuro para mim. Até que encontrei na profissão de ferramenteiro uma magia, que com peças pequenas podia construir enormes máquinas.

Me apaixonei, foi aí que mudei do escritório com finais de semanas livres para uma fábrica no meio do óleo, da sujeira e muito barulho com anos e anos de sábados e domingos trabalhando.

Percebi novamente que, para minha surpresa, Deus colocou o trabalho certo e a namorada certa na minha vida, que hoje é minha esposa. Vieram os filhos e mais responsabilidades, voltei a estudar para poder dar o melhor para a minha família.

Vejo que nesse percurso eu errei várias vezes por tentar trabalhar em outras funções, porque achava que poderia mudar o projeto que Deus colocou em minha vida, mas não consegui. A responsabilidade e obrigações me chamavam novamente para continuar a dar o melhor para minha família.

Hoje o meu maior orgulho é ver meus dois filhos formados numa faculdade e vivendo dos seus próprios esforços e a minha esposa que completa esse orgulho.

Sinto que hoje devo continuar caminhando e conduzindo a minha vida, que sem a minha família não teria sentido, sempre no caminho do bem, do trabalho e do amor.

Vendo o resultado deste caminho percorrido, entendi que não fui eu que tive sabedoria, entendimento e capacidade para fazê-lo sozinho, pois às vezes podemos desistir de Deus, mas Deus nunca desiste de nós, pois ainda continuo conversando com Ele para saber o que me reserva na velhice.

Não sei se consegui expressar o sentido da minha vida, abri mão de alguns sonhos, não sei se seriam bons, mas me sinto em paz pelos que realizei.

Até hoje a Sagrada Família ‘Jesus, Maria e José’ caminham comigo, com minha esposa e meus filhos, pois a Eles confiei e consagrei”.

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