‘Aproveitar no sentido de saber: estou vivo, que bom’, diz homem vestido de terno e gravata sobre a vida

Eno Siewerdt disse que passa boa parte do tempo viajando
Eno Siewerdt disse que passa boa parte do tempo viajando

Eu estava no aeroporto de Brasília esperando a chamada para o embarque rumo a São Paulo quando reparei na quantidade de homens “engravatados” ao meu redor no aguardo de entrar no avião. A cena me chamou atenção e me dei conta que desde o início dos depoimentos sobre o sentido da vida eu ainda não tinha entrevistado ninguém vestido de terno e gravata.

Nunca gostei muito de trajes sociais. Para mim eles representam uma formalidade inibidora. Acho que inconscientemente imagino que uma pessoa vestida de terno e gravata esteja pronta para falar sobre negócios, números e contratos, mas não sobre o sentido da vida.

Olhei à minha volta. Entre todos os engravatados, Eno Siewerdt, de 62 anos, folheava despretensiosamente um jornal. Bom, se ele lia jornal, poderia parar para bater um papo.

Sorridente, Eno aceitou contar um pouquinho de sua história. Consultor de tráfego aéreo, passa a vida viajando pelo mundo sugerindo melhorias para o bom funcionamento de aeroportos. Já trabalhou na Aeronáutica, na implantação do centro de gerenciamento, e disse que faz trabalhos até para as Nações Unidas. Tem também uma empresa e trabalha com a Embraer.

Perdeu as contas de quantos países já visitou. “Eu teria que fazer uma lista, mas estive em todos os continentes, sempre a trabalho”. Disse que já morou até na África, onde passou mais tempo em Moçambique, Cabo Verde, África do Sul e Quênia.

Apesar de rodar o globo para trabalhar, disse que todas as viagens a turismo que fez na vida são dentro do Brasil mesmo. Na opinião de Eno, um dos lugares mais bonitos do mundo fica no interior no Pará, perto de Santarém. “É um pequeno paraíso que se chama Alter do Chão, é um dos lugares mais bonitos deste mundo. É no Rio Tapajós, tem uma prainha em frente a um povoado, que pertence a Santarém, é absolutamente bucólico, você chega ali e não cansa de admirar.”

Para lá ele foi com a esposa Sueli, com quem é casado há mais de 40 anos, e um dos três filhos do casal. “Ele era adolescente, estava meio em conflito, não sabia o que fazer da vida, então eu disse, vá para a Amazônia. Ele foi e descobriu que esse mundo é absolutamente digno de ser visitado e vivido.”

Eno me disse que já pensou muitas vezes sobre qual é o sentido da vida. “Eu acho que todo mundo para de vez em quando para pensar sobre isso, será que faz sentido ou não faz? Na verdade não dá para concluir isso. Uma coisa é você gostar da vida em si, é uma oportunidade única, tem que desfrutar, se possível com alegria mesmo quando não tem tantos motivos assim”, afirmou.

“O restante é um questionamento que não creio que tenha um fim, agora vou descobrir qual é o sentido. Acho que realmente é agradecer a oportunidade que se tem de viver, aproveitar no sentido não de exagerar, mas de saber: ‘estou vivo, que bom’. O mundo é muito bonito e eu acho que vai de cada um perceber isso. Não tenho nenhuma razão para me queixar.”

E foi assim que eu quebrei meu preconceito contra os engravatados e colhi mais um belo depoimento sobre o sentido da vida.

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5 comentários

  1. Grande amigo Alemão, além de ter tido o prazer de trabalhar com você, onde muito aprendi, sinto-me honrado de ter sua amizade. Forte abraço. FIG

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