Imigrantes do Caribe vieram a SP em busca de vida melhor e logo perceberam que procuraram no lugar errado; para elas, sentido da vida está em Deus

Myrtha (esq.) e Oendi afirmam que vida em São Paulo não está fácil
          Myrtha (esq.), do Haiti, e Oendi, da República Dominicana, afirmam que vida em São Paulo não está fácil

Estive na sede da Polícia Federal em São Paulo esses dias para renovar meu passaporte e, ao sentar num café para organizar meus documentos, duas moças pediram licença para dividir a mesa em que eu estava. Eram imigrantes da região do Caribe que tinham ido à PF para resolver questões sobre a permanência no Brasil.

Ambas vieram para São Paulo em busca de emprego e melhores condições de vida, mas logo perceberam que talvez procuraram no lugar errado. Oendi, de 33 anos, é da República Dominicana e disse que há poucas oportunidades em seu país. A haitiana Myrtha, de 40, afirmou que no Haiti falta segurança, há muita corrupção e poucas chances para os pobres.

Não demorou muito para perceberam que a vida na caótica capital paulista não seria muito diferente. Há seis meses no Brasil, Myrtha já quer voltar para o Haiti, só que não tem mais dinheiro. Passou necessidades quando chegou por aqui e contou que se submeteu a um emprego onde passava por condições análogas à de escravidão. Não aguentou e pediu as contas.

“Eu trabalhava com uma mulher, mas ela era muito ruim, tentava me escravizar. Se ligavam no meu celular ela dizia para não ligarem mais, ela não me deixava sair. Disse a ela para que me baixasse a carteira, que eu não aguentaria mais humilhação.”

A haitiana desabafou que está muito difícil encontrar emprego em São Paulo. Nem carta de recomendação conseguiu da antiga chefe (por motivos óbvios). Rapidamente constatou que o custo de vida é muito alto. “Uma casa aqui é muito caro. Até eu conseguir emprego, o salário mínimo estão pagando R$ 800, e o aluguel de uma casa é R$ 600, moça… Eu quero voltar para o meu país, mas não tenho mais dinheiro. E também eu gastei muito para vir aqui.”

Oendi concordou. Disse que são tentativas para melhorar de vida. No caso dela, conseguiu um emprego na cozinha de um restaurante no Mercado Municipal, no centro da cidade. “Aqui está mais ou menos. Você sabe que a gente tem que pegar um tempo para se acostumar no novo país. Para o estrangeiro é um pouco difícil. Algumas pessoas não, mas tem gente racista. Mas a pessoa tem que aguentar. Para poder ficar temos que ir aguentando algumas coisas.”

E foi nesse contexto que perguntei a elas o sentido da vida, que claramente não está muito fácil em São Paulo, onde, convenhamos, viver já é bastante complicado até para quem é paulistano. Ambas demoraram um pouco para responder a questão, e logo de cara voltaram a desabafar sobre as difíceis condições práticas da vida na cidade.

Eu voltei a perguntar como que, apesar de todas essas dificuldades, elas enxergavam o motivo de nossa existência. E aí a resposta das duas foi: “em Deus”.

“Você está vivo, está sentindo, estão acontecendo coisas na sua vida. Mas tem sentido, sabe por quê? Porque sua vida existe por Deus, porque sua vida tem sentido, e você tem que ficar agradecido por Deus”, declarou Oendi.

“Deus é bom, é maravilhoso. São as maneiras que a gente tem que viver, apega-te a Deus, se não você vai viver uma vida pior a cada dia”, disse Myrtha.

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