Com 77 anos, senhor diz que não sabe o sentido da vida e nem tem como dar palpite

Duas vezes ao dia, Reinaldo Schich  cainha até o final da rua onde mora e volta para exercitar as pernas
Duas vezes ao dia, Reinaldo Schich cainha até o final da rua onde mora e volta para exercitar as pernas

Com 77 anos, o aposentado Reinaldo Schich tem o hábito de caminhar diariamente até o final da rua onde mora e voltar. Ele faz isso duas vezes ao dia: pela manhã, por volta das 10h, e de tarde, lá pelas 16h.

Reinaldo vive em uma das casinhas que existem na frente do meu prédio. Como é a minha rua e o hábito dele é diário, eu já tinha cruzado com ele na calçada várias vezes. Eu sempre na correria, indo ou vindo de algum lugar. E o aposentado calmo e parado, em pé, apoiando-se na bengala e observando o movimento dos carros.

Naquela manhã não resisti e o abordei para descobrir por que estava sempre lá estático, na mesma rua, no mesmo lugar e na mesma hora.

“Eu vou até lá embaixo e volto. É para dar uma caminhadinha, só. Venho todo dia, duas vezes por dia. É bom para exercitar as pernas.” Perguntei se o hábito era por alguma recomendação médica ou algo assim, mas Reinaldo disse que não. “Faço isso porque eu quero mesmo, só para me exercitar.”

Aposentado há 30 anos, ele revelou que mora na rua há 40. “Eu vim pra cá não tinha nem asfalto, era barro. Nem subia nem descia o carro, quando chovia então… Agora está muito melhor”, disse, queixando-se, contudo, que atualmente a rua está muito movimentada. “Tem movimento demais essa rua, mas fazer o quê? É caminho para a Paulista, né? Antes não era assim, aqui no passado era bem sossegado.”

O bairro é na região do Ipiranga, na Zona Sul da capital paulista. Reinaldo disse que nasceu e cresceu nas redondezas. Casado e com três filhos, sempre trabalhou em escritórios, fazendo cobranças. Disse que mesmo depois de se aposentar continuou a trabalhar por muitos anos. Com o avanço da velhice, contudo, precisou parar.

E foi com a mesma calmaria que observa os carros na rua que meu vizinho de 77 anos declarou não saber o sentido da vida. “Sei não”, afirmou. Disse que nunca parou para pensar no assunto e que não liga muito para isso.

Eu insisti. Perguntei se agora que eu estava questionando, se não vinha algo à mente, mas Reinaldo foi resistente: “Eu não sei, não, não tem como dar palpite.”

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2 comentários

  1. Parabéns. Essa é minha primeira manifestação por este lindo trabalho. digno de admiração. Ouvi todo reportagem transmitida pela rádio CBN no dia do lançamento do livro. Logo ali me causou admiração uma jovem tratar com tanto gosto e entusiasmo este tema. é um tema muito rico e inquietante. Desde meus 14 anos (hoje 63) que esta inquietude me persegue. Aos 27 anos encontrei a LOGOSOFIA. Ai encontrei muitas respostas. Já vi a maioria destes depoimentos, mas irei adquiri o seu livro. Novamente meus parabéns pelo lindo trabalho. JOSE FERNANDO VASCONCELOS NUNES – Brasília – tel. 61) 82473232

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