A história de Camila Masullo, dona das mãos por trás das receitas da Sal de Flor, página com 3 milhões de fãs

Camila Masullo, criadora da Sal de Flor, mudou de carreira e hoje ama o que faz
Camila Masullo, criadora da Sal de Flor, mudou de carreira e hoje ama o que faz

Conheci a Camila Masullo numa gravação de um trabalho que participei em 2016. Ela foi chamada para gravar receitas para um site de vida saudável. Detentora de uma das páginas de culinária mais populares do Facebook, a Sal de Flor, era a pessoa ideal para produzir os vídeos que a empresa precisava. Com mais de 3 milhões de seguidores, a página dela publica vídeos com receitas de pratos rápidos, suculentos e irresistíveis – aqueles de dar água na boca. No dia da gravação, ela comentou que gostava muito de cozinhar e fazia menos de um ano que tinha criado o blog. Antes, trabalhou descontente por anos na área comercial de empresas. Está com curiosidade para saber como ela deu a guinada? Eu a procurei e com muita gentileza ela me contou “tim tim por tim tim”.

Conheça a história da Camila Masullo, da Sal de Flor

Atenciosa, Camila me recebeu no seu ‘estúdio’ de gravações – uma área aberta e iluminada na casa da família dela. Lá há todos os recursos necessários para o preparo das receitas: fogão, pia, inúmeros utensílios de cozinha e espaço para o câmera, Thiago Martinhão, marido dela e parceiro no projeto, pegar todos os ângulos de cada prato preparado.

Entre uma gravação e outra, Camila separou um tempinho para me receber e sentamos para conversar. Expliquei a ela que o intuito da entrevista era ajudar pessoas que possam estar infelizes com o trabalho. Achei a história dela inspiradora. Deixo claro aos leitores que de forma alguma trata-se de um texto para dar o caminho a outras pessoas, e muito menos que todo mundo será realizado com o que realizou a Camila… Mas é uma história real de quem passou por momentos difíceis no trabalho e agora trilha um caminho que faz sentido – já que o novo lema do Vidaria é “como dar sentido à vida!”

Bom, vamos à história. Logo no começo da conversa a Camila contou que o início de sua vida profissional foi confuso. “Eu desde o colegial entrei na crise de não saber o que fazer. Sabe aquela fase em que temos que decidir o que prestar para o vestibular? No meu teste vocacional aparecia desde arquitetura a ciência e educação física. Um leque, né?”

Ela chegou a começar arquitetura, mas logo percebeu que não se dava muito bem com os cálculos. Depois fez um curso técnico de design de interiores e faculdade de marketing. Entrou como estagiária na área comercial de uma empresa de cerâmica e desde esse primeiro emprego foi pulando de “galho em galho”, mudando de empresa meio automaticamente porque ganharia um pouquinho a mais. Porém, não se sentia realizada. “Nunca estava feliz, sabe? Não pensava, ‘poxa, que delícia, vou lá vender!’. Nunca fui ‘aqueeela’ vendedora.”

Contudo, apesar de estar infeliz profissionalmente, Camila entrou naquela “espiral” que é normal nas carreiras. Afinal, já tinha experiência na área e todos os empregos que apareciam eram para fazer praticamente a mesma coisa. O problema é que ela foi ficando cada vez mais descontente. Enfrentou demissões seguidas. Na época, sentia-se muito mal, pois não conseguia entender o motivo das demissões e achava que não era uma boa profissional. “Foi me dando frustrações e frustrações e eu comecei a achar que eu era a pior funcionária do mundo.”

Chegou a viajar para a Europa e trabalhar em restaurantes. Disse que a experiência foi bastante enriquecedora, mas aos 25 anos voltou ao Brasil e ficou para ajudar a mãe, que enfrentava um câncer. Voltou a trabalhar na antiga área, mas seguia infeliz. Ela ficava horas no trânsito para ir e para voltar, o que era bastante estressante (aliás, muitos de nós entendemos essa dificuldade, não é mesmo?) O estresse era tanto que ela até adoeceu numa época: seus cabelos caíam de tanto nervoso.

E assim Camila foi levando a vida como era possível. Afinal, precisava trabalhar e pagar as contas e ela não tinha opção. Fazia o que podia. Chegou a cursar um MBA na área de negócios, na esperança que rendesse algum fruto. Não foi o que aconteceu. Foi demitida mais uma vez. Ao todo, conta que chegou a ser demitida umas 5 vezes – e apesar de a soma ter causado angústia no passado, mais tarde, porém, analisando com calma, ela descobriria a verdadeira razão: “eu não gostava do que fazia. Eu não fazia com vontade. Eu não acordava feliz. Eu não dava o meu máximo”, revela.

Foi com a ajuda de seu marido que uma luzinha acendeu sobre sua cabeça. Ele fez a seguinte pergunta para ela:

–  O que você realmente gosta de fazer, Camila?

– Ah, adoro gastronomia e artesanato.

– Vamos fazer um blog?, perguntou ele.

Thiago é publicitário e a ajudou a montar o blog. Aos finais de semana eles preparavam vídeos e postavam nas redes sociais. Foram vários testes, alguns de artesanato, alguns de culinária. Aos poucos os seguidores foram aparecendo, eles pegaram o jeito e assim nasceu o blog Sal de Flor (o nome foi inspirado no Flor de Sal, um tipo de sal “requintado” usado como tempero em pratos finos).

Dentro de poucos meses o blog decolou e o casal resolveu arriscar. Camila passou a trabalhar só com os vídeos. Em seguida Thiago deixou o emprego dele para ajudá-la na produção e divulgação.

Realização profissional

Hoje, aos 36 anos, Camila enfim encontra-se realizada profissionalmente. Como os vídeos são muito visualizados, eles são patrocinados por marcas de eletrodomésticos, alimentos, condimentos, acessórios para cozinha, entre outras. É dessa forma que vem a renda com o blog.

“Hoje estou mega feliz. Trabalhamos para caramba. A gente não tem mais sábado e domingo. Acho que a família deve estar pensando: Camila virou ‘estrela’, não aparece mais em nenhuma festa. É que sempre estou gravando ou quando não, estou fazendo post, indo ao supermercado, organizando a casa, etc.” Ela disse que é apaixonada por pensar e pesquisar as receitas, divulgar e ver a participação do público interagindo com os vídeos. Ou seja, disse que encontrou o que ama fazer.

Eu gostei da história da Camila por um principal motivo: ela dá uma luz no final do túnel de esperança para quem está infeliz com o trabalho e ainda não conseguiu ou não pôde encontrar um jeito de mudar de direção. De uma forma bem sincera e transparente, deu para perceber que nada foi “de repente” na vida dela.

É claro que sabemos que inúmeros fatores interferem e não podemos pensar que há uma regra e todos podem ter uma página no Facebook com 3 milhões de seguidores. Não é isso. Mas certamente todos podemos mover alguns passos, nem que pequenos, em direção ao que pode nos agradar mais… A Camila, por exemplo, disse que passou a estimular o pensamento positivo todos os dias, praticar exercícios que a faça ter força e acreditar em si mesma, o que é essencial para seu equilíbrio.

Dicas para encontrar um caminho

Eu pedi para ela dar uma dica a quem se encontra na mesma situação que ela esteve por anos, mas não sabe como dar o passo inicial pra mudar – afinal, todos sabemos que é difícil para caramba, pois as contas não param de chegar em baixo da porta.

De forma resumida, a recomendação dela é a seguinte:

  • Descobrir o que te dá prazer – essa às vezes é a parte mais difícil;
  • Ir fazendo uma poupança caso opte por arriscar de vez na nova área;
  • Testar formas de renda com o que você gosta de fazer (pode ser em paralelo ao emprego atual);
  • Arriscar quando for possível (mas com o pé no chão e dentro de suas possibilidades, claro);

Minha dica é essa: faça com amor. Você trabalha feliz, trabalha mais, os negócios começam a surgir e a grana vem naturalmente. O importante é não ficar amarrado ao trabalho para o resto da vida se não é isso que deixa a pessoa feliz”, afirma Camila.


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