De onde vem nossa necessidade de contar a própria história

Por que temos a necessidade de contar a própria história? Foto: Gratsiela Toneva/Freeimages.com
Por que temos a necessidade de contar a própria história? Foto: Gratsiela Toneva/Freeimages.com

Existe uma disseminada frase da escritora dinamarquesa Izak Dinesen que diz: “ser uma pessoa é ter uma história para contar”. Temos a necessidade de falar de nós mesmos o tempo todo, seja para amigos, familiares ou na timeline do Facebook. Se pararmos para pensar, narramos nossa vida a todo momento, em conversas e imagens. Mas por que precisamos tanto de contar nossa própria história?

De onde vem nossa necessidade de contar a própria história

Estudiosos da comunicação vão dizer que o ato de criar narrativas é intrínseco ao ser humano e faz parte de sua comunicação. E a comunicação, por sua vez, sempre foi a base da interação social e essencial para a vida do homem em sociedade, diz o jornalista Francisco Rudiger, em seu livro “Teorias da Comunicação”.

Nossos hábitos de “contação de histórias” são antigos. No passado, a troca ocorria em círculos ao redor de uma fogueira no final do dia. Mais adiante, na cadeira posta em frente à calçada. Numa mesa de bar. Apesar de ainda contarmos com todas essas tradicionais opções, hoje ainda temos a possibilidade de falar de nós mesmos o tempo todo, em tempo real, pelas redes sociais.

Vai dizer que não é prazeroso postar aquela foto de um lugar bonito que você esteve no Instagram? Ou fazer um texto bonito sobre uma conquista ou dificuldade no Facebook? É claro que há todo um debate sobre o “espetáculo” que criamos com essa virtualização de nós mesmos em “avatares” online, costume que exige cuidado. Não é sadio quando se torna uma busca incessante e inconsciente por “curtidas”, por se tornar popular. Porém, o hábito e a vontade de nos fazer revelar para o mundo está dentro de nós.

Há linhas que inclusive estudam a escrita de biografias para significar – ou ressignificar – nossas vidas após traumas, momentos difíceis ou fases de transformação. Em seu livro “5 lições de storytelling”, o autor James McSill ressalta: “na vida, a grande força do storytelling vem do seu efeito inspirador, que permite às pessoas desconstruir, analisar e reinterpretar as próprias histórias a partir de suas próprias experiências e criar, recriar, significados”.

A narrativa que fazemos sobre nós afeta nossa vida

Nessa linha, McSill ressalta: “quanto mais conhecer de história para entender as histórias da sua vida, mais fácil será reinterpretá-las e transformá-las”. A narrativa que fazemos sobre nós afeta de fato nossa vida em si. “Podemos narrar a mesma história com foco no problema ou na solução”, comenta.

Em “O nome do vento”, o autor Patrick Rothfuss diz que é como se o tempo todos nós contássemos uma história sobre nós mesmos dentro da nossa mente, cita McSill. E essa história é o que faz você ser quem você é. “Nós nos contamos a partir das histórias”, salienta Rothfuss.

A própria escritora Izak Dinesen, cuja frase eu citei no começo deste texto, afirmou: “todos os sofrimentos podem ser suportados se os convertermos numa história, ou se contarmos uma história sobre eles”.

Contadores de história e até especialistas em psicologia garantem que narrar nossas vidas ao outro é essencial. E muitos de nós sabemos o alívio que sentimos ao fazer um verdadeiro desabafo, não é mesmo?

E taí a importância de falarmos – verdadeiramente – sobre nós mesmos. Ao nos narrar, marcamos nossa existência no mundo. Seja escrevendo nossa a história em um livro, num post no Facebook ou contando a um amigos na mesa de bar. Que a nossa vida seja repleta de boas, e significativas, histórias!


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4 comentários

  1. […] “Quando morre um idoso, é como se incendiasse uma biblioteca.” A origem desse provérbio é incerta. Já encontrei referências de que ele é chinês, indiano, hindu, africano e até indígena. Independente da procedência (se é que há uma só), tal sabedoria se aplica, de forma inquestionável, a todas as culturas. O conhecimento acumulado na vida de cada ser humano é único. E há apenas uma forma de conservá-lo sem correr o risco de perdermos parte da nossa história quando alguém se vai: por meio das narrativas. […]

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