A horta do meu prédio

Uma crônica sobre a abundância da natureza

Faz anos que o seu Paulo, o zelador do meu prédio, mantém uma horta comunitária no condomínio. O curioso é que passei a valorizá-la somente depois de me tornar vegana e, consequentemente, aumentar imensamente meu consumo de verduras. 

A horta do Tours de France sempre esteve lá, à minha disposição, mas eu não dava muita importância pra colher salsinha, coentro, manjericão. Comprava sempre as mesmas folhas de couve, alface e cheiro verde com agrotóxicos no mercado e me sentia saudável assim. 

Depois que virei vegana, entretanto, o que antes eu achava que era muito verde passou a ser irrisório no meu prato. Uma das receitas que passei a fazer pelas manhãs, por exemplo, é um suco vivo que leva cinco tipos diferentes de folhas. 

No começo, foi um verdadeiro caos tê-las à disposição todos os dias. Até me acostumar, quase enlouqueci e muitas vezes chorei diante da montanha de mato pra lavar na pia, jurando que não daria conta. 

Uma das folhas que vão no meu suco são as chamadas PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), riquíssimas em nutrientes, mas que a gente acha que é mato. A mais comum é a Ora Pro Nobis, rica em proteínas. Passei, então, a pagar cerca de 7 reais por poucas folhinhas dela em feiras, mercados ou entregadores de orgânicos. 

Certo dia, passando em frente à horta do prédio, fiquei surpresa ao identificar um pé de Ora Pro Nobis à disposição dos condôminos. 

— Pode pegar à vontade, viu, Gabi! — disse-me seu Paulo, entregando-me tantos galhos que subi o elevador abismada com tamanha abundância da natureza.

Depois desse dia, percebi que na horta do meu edifício tem também couve, alface, salsão, lavanda, cidreira, orégano, entre outras — um dia desses, vi nascer jiló. 

Ela salva minha vida quando minhas folhas acabam. Sempre que preciso de alguma de última hora, sei que basta descer 18 andares que lá encontrei uma couve ao meu dispor.

Nas cidades, a gente acha normal pagar caro até por água. Distorcemos completamente a lógica de abundância da natureza e esquecemos que a vida nos dá tudo o que precisamos. Que bom que no meu prédio tem uma horta que, agora, me faz lembrar disso com frequência.

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