‘Viver, no sentido literal da palavra’

A Rachel e o Leo em Riobamba no Equador (Foto: Arquivo Pessoal)
A Rachel e o Leo em Riobamba, no Equador, em foto que peguei (com a autorização deles) na página do ‘Viajo Logo Existo’ no Facebook. (Foto: Arquivo Pessoal)

“O sentido da vida para nós é viver, em seu mais simples e puro sentido literal da palavra. Acreditamos no presente, no agora. Focamos em realizar nossas vontades e desejos no curto prazo e nos organizamos para isso. Acreditamos que essa seja a melhor forma de garantir um futuro feliz – seja lá o que isso realmente queira dizer em sua definição pontual.”

A resposta é do casal Leonardo Spencer, de 29 anos, administrador, e Rachel Paganotto, de 27, economista. Chegou para mim por e-mail e foi escrita quando ambos estavam em Pasto, na Colômbia.

Isso porque, se eu quisesse fazer a entrevista pessoalmente, teria que esperar três anos, quando os dois retornam ao Brasil depois de darem a volta ao mundo.

Eles resolveram mudar de vida. Largaram o emprego que tinham há anos em um banco na cidade de São Paulo e, literalmente, foram fazer algo que daria mais sentido para suas existências.

“Gostamos de dinheiro, mas não queremos viver em função disso. Sentimos a necessidade de começar um novo ciclo em nossas vidas, talvez com menos dinheiro e mais insegurança, porém com mais vida”, diz o depoimento de Spencer no site criado pelo casal sobre o projeto, o “Viajo Logo Existo” (www.viajologoexisto.com.br).

Eu fiquei sabendo da história dos dois quando minha colega de trabalho, Flávia Mantovani, escreveu sobre eles para o G1 (leia aqui). A reportagem teve quase 30 mil recomendações no Facebook e rendeu mais de 300 comentários – muitos parabenizando a iniciativa, alguns questionando o fato de gastarem tanto dinheiro, outros admirando a coragem e alguns até dizendo ter inveja.

O plano é percorrer 192 mil km por 70 países de cinco continentes, diz o G1. No site criado pelo casal, eles contam que os gastos somente com os preparativos da viagem totalizaram R$ 164 mil, o que incluiu a compra de uma Land Rover de R$ 82 mil para o “tour” pelo mundo. Há ainda os gastos diários. O previsto era de US$ 100 por dia, mas já foi reajustado para US$ 95, devido à alta do dólar, diz o texto do G1.

Foto feita pelo casal em Ushuaia, na Argentina (Foto: Arquivo Pessoal)
Foto feita pelo casal em Ushuaia, na Argentina (Foto: Arquivo Pessoal)

Um outro olhar
Bom, muitas pessoas acabam comentando: “ah, mas com dinheiro é fácil planejar uma viagem assim”. Nem sonho em entrar aqui na discussão de como eles conseguiram juntar o dinheiro para viajar, quem pode e quem não pode fazer isso. Porém, no meu ponto de vista, largar o emprego num grande banco, investir tamanha grana numa viagem de mais de três anos pelo mundo é, sim, um olhar diferente sobre a vida.

Por e-mail, perguntei aos dois se eles pensam no “futuro” quando retornarem, tendo em vista a resposta que me deram sobre viver intensamente o presente.

“Sem duvidas pensamos no futuro pós-viagem, refletimos sobre os caminhos que podemos tomar, mas sempre são tantos que acabamos por falar: ‘vamos focar em fazer bem feito agora que isso que vai garantir que dê tudo certo lá na frente’”.

Ainda citaram que gastam um tempão para atualizar o site, onde compartilham com o mundo o que estão vivendo. “Você já parou para imaginar o trabalho que dá para manter um site atualizado como o nosso?”. Eles também criaram uma nova página, sobre as experiências gastronômicas que vão tendo, o “VLE Gourmet” (www.vlegourmet.com). Têm ainda conta no Instagram. “Tudo isso e não ganhamos um real. Bom, mas acreditamos na qualidade do nosso trabalho e temos paciência, no longo prazo tudo se ajusta”, disseram.

Mundo desigual
Após os cinco meses de viagem, eles disseram que, por enquanto, ainda não mudaram tanto a forma como enxergam o mundo. “Como tudo na vida, é muito difícil você perceber as mudanças quando se olha no espelho todos os dias. E o mesmo acontece na viagem. No geral, após cinco meses, diríamos que mudamos em poucas coisas a forma como vemos o mundo”, diz a resposta do casal.

Eles disseram, porém, que as diferenças podem ficar mais “latentes” num reencontro com alguém que não os vê há muito tempo.

Afirmaram, ainda, que a viagem tem aberto os olhos dos dois sobre quanta pobreza há no mundo. “É impressionante a péssima qualidade de vida que a maioria das pessoas vivem, realmente é muito frustrante imaginar que evoluímos nos mais diversos campos da humanidade e essa população permanece esquecida, abandonada… Nos perguntamos mesmo para onde é que estamos evoluindo.”

Por conta disso, eles contam que pretendem usar o alcance que conseguiram nas redes sociais (a página do projeto deles no Facebook tem mais de 31 mil ‘likes’) para ajudar a desenvolver e divulgar projetos que acreditam que fará um mundo melhor.

“Acreditamos que podemos usar nosso know-how nas mídias para ajudar projetos que muitas vezes ficam escondidos. Mas isso ainda é um segundo step e que deve vir à tona no segundo ano do ‘Viajo Logo Existo’”.

A viajem de Leo e Rachel começou pela América do Sul e eles inda têm outros quatro continentes para conhecer.

Por enquanto, a gente fica aqui, torcendo para que eles vivam realmente intensamente cada um desses dias nesses 70 países. Estou ansiosa para saber o que eles vão ter para contar sobre a vida quando voltarem.

Boa viagem Leo e Rachel!

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