Para quem trabalha nas piscinas no meio do mar, o sentido da vida é ‘viver tranquilamente’

Wellikson vive há 15 anos em Maragogi
Wellikson vive há 15 anos em Maragogi

Wellikson José de Lira, de 26 anos, é um dos marinheiros que pilotam os catamarãs que levam turistas para ver as lindas piscinas naturais da praia de Maragogi, em Alagoas, perto da divisa com Pernambuco.

O rapaz de fala mansa e pele bronzeada leva uma vida tão tranquila que minha cabeça agitada de quem vive numa cidade grande, onde a correria às vezes é uma imposição, chega a dar ‘tilt’ só de imaginar.

São quatro a cinco horas de trabalho por dia. No mar, entre os peixes e corais que ficam numa piscina natural azulzinha, azulzinha…  “É sossegado o trabalho (…). Assim que faço o passeio, quando chego na praia, guardo a embarcação e aí já posso ir para casa. Aí é bem tranquilo.”

Nascido em Pernambuco, ele foi morar na cidade turística de cerca de 30 mil habitantes há uns 15 anos. “A minha mãe separou do meu pai e a gente veio morar em Alagoas.”

Disse que prefere viver na cidade alagoana.  “Para morar, a praia de Maragogi é muito bonita, né? Aqui é onde moro e onde trabalho. Aqui a vida é mais fácil.”

Já trabalhou vendendo produtos na praia e biscoitos nas embarcações. Até que resolveu ser marinheiro dos catamarãs. “Aqui em Maragogi a melhor opção é trabalhar com as piscinas naturais. A maioria dos meus amigos trabalha de fotógrafo, mergulhador… Eu digo, ‘vou trabalhar como marinheiro, que é bom também.’”

Para ser marinheiro ele fez um curso e recebeu a carteira de habilitação da Marinha para trabalhar com passageiros. Assalariado, é funcionário do dono do restaurante beira-mar.

Casado e com um filho de 3 anos, disse que a esposa é dona de casa. “É para cuidar de mim e do menino.”

O marinheiro revelou que não pensa em procurar outro trabalho e muito menos em mudar para cidades grandes. “Tem muita gente que vai para São Paulo atrás de uma vida melhor, de ganhar dinheiro, muitas vezes volta pior do que era.”

Vida ‘tranquila até demais’
Revela que para ele o sentido da vida é justamente poder viver com tranquilidade.

“ A vida da gente aqui é tranquila até demais. Quando a gente está estressado, a gente sai para pescar para relaxar… O sentido da vida, pelo menos para a gente que vive aqui, a gente leva tranquilamente. É viver, né… É viver. Se a gente pensar demais no que é que vai acontecer lá na frente… Tem que viver o hoje.”

 Wellikson estava acompanhado de seu amigo, Wendell de Oliveira Duarte, de 25 anos, que trabalha como fotógrafo subaquático nas embarcações e dá palestras sobre a preservação do local aos turistas. “O sentido da vida é viver tranquilamente. Aqui é sossegado demais, o custo de vida da cidade é muito baixo, não pega condução para nada. É tudo perto de tudo. Maragogi é muito bom para se viver”, disse Wendell.

Diferentemente de cidades do sertão nordestino, onde a seca castiga os moradores, eles disseram que em Maragogi ninguém passa fome. “Aqui você tem o mar para pescar, tem todos os tipos de frutas, animais. O cara só passa fome se ele quiser, porque tem muita coisa para se fazer. Ninguém passa fome aqui, não”, sugeriu Wendell.

Piscinas naturais de Maragogi
Piscinas naturais de Maragogi
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