Camaronês que quase foi morto por engano diz que sentido da vida é ‘viver os sonhos’ e ‘dar para receber mais’

Aproveitei para tirar uma foto com Tommy: 'Abençoa alguém, distribuiu. É contribuir. Dar para receber bem mais', disse sobre o sentido da vida
Aproveitei para tirar uma foto com Tommy: ‘Abençoa alguém, distribuiu. É contribuir. Dar para receber bem mais’, disse sobre o sentido da vida

Eu entrevistei o ator camaronês Tommy Germain para uma reportagem para o G1, onde trabalho. Enquanto ele me contava tudo o que tinha passado antes de vir morar no Brasil, eu pensava, “caramba, não é possível que tudo isso é verdade, parece enredo do filme”. Isso porque ele já quase foi morto por engano trabalhando em minas de diamantes na Angola e sua família chegou a achar que ele tinha morrido de verdade. Hoje é ator em São Paulo, já fez filmes e minisséries (leia aqui o texto no G1).

Fiz um resuminho da história dele:
Tudo começou quando, aos 20 e poucos anos, Tommy deixou seu país para tentar uma vida melhor na África do Sul. Porém, ele nunca conseguiu chegar ao destino. No meio do caminho, ficou preso na Angola, que estava em guerra civil. Sem outra alternativa, ficou por lá e trabalhou em minas de diamantes para sobreviver.

Nessa época, disse que quase foi morto por engano porque acharam que ele tinha roubado as pedras preciosas. “Eu já estava fazendo a minha oração para me despedir do mundo”, disse – contou que chegou a ser colocado em pé dentro de uma cova quando chamaram um “general” antes de matá-lo e perceberam que ele era a pessoa errada.

Perdeu o contato com a família, que achou que ele tinha morrido. Revelou que sua mãe e irmãos faziam celebrações anuais para lembrar sua morte. No mesmo período, seu pai e um irmão morreram e ele não ficou sabendo.

Em 2005, após o fim da guerra na Angola, veio ao Brasil por recomendação de amigos. Assistiu as novelas na TV, lembrou de quando via as tramas ainda criança na Angola. Resolveu fazer em teatro e investir na carreira de ator. Atualmente, vive em São Paulo há quase dez anos e hoje já fez peças, filmes e uma minissérie da Globo.

Sentido da vida
Quando a entrevista acabou, eu imediatamente pensei ‘preciso perguntar a ele qual é o sentido da vida’:

“É viver seus sonhos, eu acho. Tentar ser positivo, sabe, porque a positividade gera positividade e tem muita coisa para a gente espalhar neste mundo. Tem muitos campos para a gente ter uma vida melhor, porque não adianta, Deus não criou a gente para sofrer aqui nessa terra. É para viver uma vida significativa, deixar um legado positivo”, disse. “A gente pode até errar às vezes, o erro é humano, mas quando você percebe que você está fazendo coisa errada, você vê a importância de contribuir em algo positivo em outros, porque Deus pode te abençoar, mas essa benção não é para você sozinho, é para você abençoar outras pessoas. Porque essa benção pode vir através de outras pessoas. Abençoa alguém, distribui. É contribuir. Dar para receber bem mais.”

Tommy contou que nos quatro anos vividos na Angola viu tanta coisa ruim acontecer que começou a perder os sentimentos. Relatou que na região das minas de diamante qualquer pedacinho da pedra preciosa vale do mais que uma vida. “Eles cortam a barriga e abrem para ver se a pessoa está escondendo diamante”, disse.

“Eu fiquei muito forte através dessas viagens. Eu era bem inocente quando saí de Camarões, amadureci muito, eu quase já não tinha sentimento em ver alguém do meu lado chorando, porque eu via tanta coisa que a vida mesmo não valia nada. Na Angola era muito normal alguém morrer do seu lado naquela época, ninguém ligava, ‘morreu, morreu’, vai jogar lá no buraco, na vala comum”, disse, durante a entrevista.

Em 2012, teve um emocionante reencontro com a família ao voltar para passar um mês em Camarões. “Ela [a mãe dele] só chorava. Ela me tocava todo o corpo. Eu falei, calma, caramba!” – ele tinha contado anos antes, por telefone, que tinha sobrevivido e disse que sua mãe chegou a desmaiar quando ou viu sua voz pela primeira vez. “É muito esquisito, às vezes quando eu penso eu falo, Jesus Christ!”

Correr atrás dos sonhos
Sobre ter virado ator no Brasil, contou que foi difícil no começo. Enquanto estudava teatro, disse que pedia comida, dormiu em pensões de R$ 10 por noite e trabalhou como ambulante no centro de São Paulo. Depois, as coisas foram dando certo, apresentou as primeiras peças, conseguiu bolsa de estudo em cursos de teatro e disse que juntou dinheiro e conseguiu fazer um curso de cinema por um ano nos Estados Unidos. “Eu sempre fui assim, de ir atrás do meu sonho, tentar fazer o que eu gosto. Eu não me sinto à vontade fazendo uma coisa que eu não gosto. Eu posso até tentar fazer, mas ao longo do tempo eu vou parar. Então é importante ter foco, porque senão você não vai estar feliz. Você pode até ganhar dinheiro, mas não está feliz.”

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