Quando já não faz mais sentido colher depoimentos sobre o sentido da vida – ou #cansei

Sentido da vida É para o outro lado1Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe. Talvez essa fosse uma boa resposta para eu dar sobre qual é o sentido da vida atualmente, caso alguém me perguntasse. Não que eu tenha o costume de ser assim mal educada. Eu só tomaria a liberdade de fazer a brincadeira porque tenho certeza de que ninguém tem a verdadeira resposta. Então a minha raiva seria contra alguém que não existe: sem ofensas, sem peso na consciência.

Brincadeiras à parte, chegou a hora de escrever o texto que estava pra sair há alguns meses, mas que a procrastinação dos dias fez eu evitar colocá-lo no papel. Talvez a demora serviu para eu me certificar de que realmente me despediria dessa série de entrevistas que durante mais de dois anos foi tão impactante para minha vida, minha percepção de mundo, para o meu coração.

É tão difícil se despedir de algo que um dia já nos fez tanto bem. Que foi muito importante, mas já não é mais. É que nem terminar um namoro porque a paixão foi embora, mas o amor ficou. Ou pedir demissão de um bom emprego porque o tesão pelo trabalho acabou. A gente vai embora com o coração apertado, cheio de saudades. Dá aquela vontade de continuar. Mas não adianta, a gente espreme, espreme a laranja, e percebe que não sai mais suco. Quando isso acontece, é hora de dizer adeus.

E assim, admito para mim mesma que já não faz mais sentido colher depoimentos sobre o sentido da vida. Simplesmente não consigo mais. #cansei.

Não significa que encontrei qualquer resposta, ou que tenha parado de pensar no assunto vez e outra. Mas já foram muitas entrevistas – 120 no total. Dois anos colhendo os depoimentos sobre o assunto (quase um por semana). Eu consegui até montar uma pesquisa empírica com os resultados, porque os sentidos da vida são muito parecidos (veja aqui). Não descobri a resposta, mas consegui um bom compilado social. E ainda publiquei um livro! 🙂 – compre aqui

Sim, foi um trabalhão – e um turbilhão – e tanto. Nem consigo explicar em palavras, mas deve dar pra perceber o quanto o projeto deu sentido à minha vida durante esses mais de dois anos.

A cada depoimento, entrei nas mentes e corações dos entrevistados. Fui embora das conversas com um pedacinho dessas vidas – além do tempo, elas me deram seu motivo para estar vivo, sabe-se lá para quem já tinham feito tão revelação.

E quantas conversas. Já citei algumas vezes, mas pra quem ainda não leu, foram experiências que me marcara muito e que jamais teriam acontecido não fosse o projeto. Fui à prisão falar com detentas e senti a carência e o peso de mulheres trancadas há anos atrás das grades. Falei com moradoras de rua – uma delas tinha uma vida tão desgraçada que se virasse roteiro de filme duvidaríamos de tantas coincidências ruins numa existência só. Falei com velhinhos bem velhinhos e descobri que, em todos os casos e sem exceção, ser velhinho é já não esperar muito mais da vida, tenha ela sido boa ou ruim. Recebi a ingenuidade (ou a sabedoria?) das respostas das crianças. A sensibilidade dos artistas. As verdades tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais de líderes religiosos. Tive conversas profundas com filósofos. Ganhei relatos de aprendizado e superação daqueles que passaram por grandes baques na vida – e, na medida do possível, aprendi com eles.

Que importa o sentido se tudo vibraForam tantos “qual é o sentido da vida?” que chegou uma hora que eu já não sabia mais se pedia aos outros ou a mim mesma uma resposta. E cá entre nós, viver sem saber o sentido da vida é ruim demais! Foi quando eu me dei conta de que de o sentido da minha vida, naquele momento, era ir atrás de um (novo) sentido pra ela.

E se tem uma coisa que eu fiz foi procurar! Dei várias voltas. Busquei terapeutas holísticos. Psicólogos. Cética que sempre fui, experimentei imersões espirituais. Li livros de filosofia. Conversei com sábios e idosos. Fiz pesquisas teóricas. Fui atrás de referências bibliográficas. Tentei ficar sem pensar em nada. Pensei em tudo ao mesmo tempo. Até que, certo dia, encontrei que a resposta é 42 no “Guia dos Mochileiros das Galáxias” e fiquei satisfeita (na verdade – me julguem – eu ainda não li esse livro, mas sei a resposta porque várias pessoas já me enviaram essa referência de brincadeira durante o projeto).

Bom, claro que eu estou brincando e a verdade é que continuo achando de suma importância nos questionarmos sobre o sentido da vida e a nossa existência neste mundo tão complexo e desigual. Ter consciência de nossos atos só nos torna pessoas melhores e de melhor convivência, resultado em uma sociedade melhor para todos. Uma vez li uma poesia do poeta Sérgio Vaz que fez todo sentido para mim: “Revolucionário é todo aquele que quer mudar o mundo e tem a coragem de começar por si mesmo”.

E por isso que vou, é claro, seguir buscando o sentido da minha vida. Afinal, como diz o ditado popular: “quem procura sempre acha, se não um prego, uma tacha”.

Pois bem, confesso que sou orgulhosa do meu trabalho. Espero do fundo do coração que os depoimentos sirvam de inspiração para todos aqueles que sentem a mesma inquietação que eu – e acho que, em algum momento da vida, quase todo mundo pode ter (talvez nem todos mergulhem tão a fundo na questão).

Serei eternamente grata por todos as 120 pessoas que passaram horas de suas vidas abrindo seus corações. A todos os amigos e familiares que me incentivaram a fazer o trabalho. A todos os leitores que me parabenizaram (e parabenizam) pelo livro.

Recentemente eu postei no Facebook uma frase que veio à mente num momento de reflexão: “o sentido da vida são as pessoas”. Talvez seja isso mesmo. Nada seria desse projeto não fossem os entrevistados, de um lado, e o compartilhamento dos relatos com os demais, de outro. Fora a transformação que todas essas etapas promoveu em cada um dos envolvidos – a começar por mim.

E para quem pensa que o Vidaria vai ficar às moscas, nem vem que não tem! Se há uma coisa que eu não faço é abandonar este blog. Vou tirar um tempo pra cuidar das minhas plantas, fazer uns bolos de cenoura, andar de bike pela cidade de São Paulo <3… Mas logo menos começarei uma nova série de textos por aqui – sim, porque eu amo escrever e jamais vou abandonar o que me move, só vou mudar um pouquinho de assunto.

Até daqui a pouco! 😀

OBS: e pra quem quiser mais uma dica, se tem um lugar que eu ainda não tinha procurado a resposta era no Google, mas recentemente minha amiga Luna D’Alama fez a pesquisa e mostrou pra mim. Taí: 2015-10-26 (1)

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