A história do publicitário que guia encontros de meditação em São Paulo

Tiago Pinto Medita São Paulo
‘Gosto muito de meditar. Talvez seja a coisa que eu mais gosto de fazer atualmente.’

“Sou terapeuta holístico, especialista em reiki e em meditação e tenho um projeto chamado Medita São Paulo.” É assim que Tiago Pinto, 29 anos, apresenta-se para o mundo hoje em dia. Mas nem sempre foi assim. Ele atuou como publicitário por dez anos, período em que passou por grandes transformações até se redescobrir. A mudança de rota veio quando ele, finalmente, conseguiu responder para si mesmo, com sinceridade, a seguinte questão: o que realmente me faz feliz e me traz amor hoje?

Junto com a resposta, nasceu o Medita São Paulo, um projeto onde compartilha com outras pessoas a experiência de meditar em grupo. Em encontros semanais na cidade de São Paulo, ele promove a meditação guiada seguida de conversas sobre autoconhecimento e evolução pessoal, estimulando entre os participantes um olhar para si mesmos (os encontros individuais custam a partir de R$ 30, saiba mais na página do Medita São Paulo no Facebook).

“Eu gosto muito de meditar. Talvez seja a coisa que eu mais gosto de fazer atualmente. Eu medito em casa com a ajuda de aplicativos, medito no parque. Aí eu pensei: por que não levo isso às pessoas de um jeito acessível e desmistificado?”

Modelo pronto de felicidade

A meditação e práticas de autoconhecimento foram transformadoras em sua jornada. Durante sua vida, assim como muitos de nós, ele seguiu um caminho pré-pronto. Vivia para trabalhar, estudar, ganhar dinheiro, pagar as contas e construir uma carreira brilhante.

Sua meta era ser gerente aos 25 anos, de preferência em uma renomada agência de publicidade. “Aquele era o modelo da minha felicidade. Eu nunca refleti quem eu era, para onde eu queria ir. Existiam questões sociais e familiares que não me permitiram pensar sobre mim.”

Ao longo de uma década, passou por uma série de experiências profissionais, assumindo postos em multinacionais e importantes agências. Foram conquistas muito valorosas, afinal, ele começou a trabalhar cedo, aos 16 anos, para ajudar nas contas de casa. Só assim conseguiu fazer faculdade.

Contudo, por mais que evoluísse dentro do objetivo que havia traçado, vivia insatisfeito. “As amizades, o cargo, o salário que eu tinha não eram o suficiente. Eu nunca estava preenchido, pensava sempre no futuro e isso gerava muita ansiedade.”

‘Por que não estou feliz?’

Tiago Pinto Medita São Paulo
‘Eu nunca estava preenchido, pensava sempre no futuro e isso gerava muita ansiedade’

O primeiro grande baque surgiu aos 23 anos, quando ele atingiu um bom posto, mas sentia-se consumido pela pressão, carga elevada de trabalho e deslocamento de duas horas até o trabalho. Em uma véspera de Natal, após receber o salário, questionou-se: “cheguei onde queria chegar. Estou em uma agência importante, tenho um bom salário, benefícios, mas por que eu não estou feliz?”

Ir trabalhar era um fardo. Nada caía no estômago na hora do almoço e ele vivia em constante ansiedade – ele não sabia, mas era o início de uma síndrome do pânico. Não teve jeito: saiu da agência e foi procurar ajuda. Começou um tratamento psicoterapêutico com o intuito de entender o que havia de errado.

Foi assim que deu início à sua jornada do autoconhecimento, em 2012, e, aos poucos, “grandes fichas foram caindo”, ano a ano. “Fui descobrir na psicoterapia que eu vivia como um robô”, descreve. “Eu era mono assunto. Só falava de trabalho, de estudar, de carreira, cronograma, conquistas, de chegar lá. Eu era um cara chato, desinteressante.”

Tiago percebeu o quanto sua forma de enxergar o mundo o prejudicava tanto na vida pessoal como profissional. “Como eu não era humano, eu esperava que os outros também fossem robôs”, avalia.

Ao começar a entender as próprias fraquezas, passou a criar empatia pelas pessoas. Além de “robô”, percebeu-se perfeccionista. Nada do que fazia estava bom, a “grama do vizinho era sempre mais verde” e ele vivia se cobrando em um ciclo de ansiedade sem fim.

Paralelamente, começou a fazer cursos de yoga, reiki e a praticar meditação. Os aprendizados com essas novas experiências, junto com a psicoterapia, fizeram-no compreender a importância de prestar atenção ao momento presente, à respiração.

“Aprendi que existia um processo, um tempo de maturação, que não se pode se colocar o carro na frente dos bois. Entendi que quando eu estivesse fortificado como ser humano, consequentemente eu seria um profissional de destaque.”

Tiago percebeu que antes de existirmos como profissionais, filho, pai, mãe, publicitário,
yogui, seja o que formos, existe o ser humano. “Quando esse ser humano está desequilibrado, ele não consegue se desenvolver em todas as áreas.”

Realidade sem sentido

O ambiente profissional, contudo, não dialogava com as novas experiências. O trabalho e a rotina não combinavam com seus valores e aprendizados.

“Eu estava vivendo todas essas descobertas, chegava no trabalho e não via mais sentido no que eu fazia. Eu pensava: está tudo errado. Você aprende sobre comunicação não violenta e no ambiente corporativo tudo o que você não tem é comunicação não violenta. As pessoas não dialogam. Está todo mundo sempre insatisfeito: seu chefe insatisfeito, seu cliente insatisfeito. Eu estava sempre entre a cruz e a caldeirinha.”

Foi assim que, em 2017, após uma demissão por conta da crise econômica, resolveu fazer a pergunta no início deste texto. “Passados dez anos de carreira, fiz um balanço”. Refletiu sobre o que havia construído, para onde estava indo e onde gostaria de chegar. A resposta já não tinha mais nada a ver com a que dava anteriormente.

“Eu elenquei prioridades e pensei: o que eu preciso na minha vida? Eu preciso estar feliz e com saúde. Minha mãe precisa estar bem e com saúde. O resto é resto.”

Tiago já tinha feito vários cursos de reiki e passado por muitas experiências de autoconhecimento, e cada dia se via mais envolvido com o assunto. Certa vez, em uma dessas vivências, foi orientado a fazer escolhas por amor. Desde então, formulou sua transição de carreira.

“Decidi que iria levar meditação para as pessoas, pois já tinha isso dentro de mim, além de horas de meditação e de prática de yoga. Tenho a filosofia do yoga que estudo. Tenho o foco de guiar pelo amor. ‘Vai dar certo’, pensei.”

Medita São Paulo

O projeto nasceu em junho de 2017 e desde então Tiago promove encontros semanalmente em São Paulo. Ele faz questão de dizer que, apesar de milenar, a meditação é uma técnica simples, que não depende de nada, apenas de a pessoa se sentar, fechar os olhos e manter a coluna ereta.

É lindo ver as pessoas meditando e olhando para si, fazendo esse mesmo caminho que eu tenho feito. Ouço as pessoas falarem que conseguiram meditar por estarem em grupo, que relaxaram. Aí eu penso: vale a pena.”

Ele também começou a fazer atendimentos como terapeuta holístico e, consequentemente, parou de entregar o currículo a agências de publicidade. É claro que, para o plano dar certo, foi necessário cortar gastos mensais. Hoje ainda faz freelancers na área de publicidade, mas está feliz com o crescimento do Medita São Paulo.

“Se eu falar que me faltou alguma coisa nesse meio tempo? Não faltou nada. Existe um desafio em cortar um monte de coisa [gastos]? Existe, mas quando você elenca prioridades, tudo fica mais fácil”, garante.

Atualmente, seu grande preenchimento vem do cuidado de si e de ver seu projeto se concretizando. “Descobri que o autoconhecimento é algo que sou apaixonado porque isso me libertou de amarras, dos padrões. E sei que isso pode libertar várias outras pessoas e ser a carta de alforria para muitos.”

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