Minha busca do sentido da vida: ‘O que fazer quando você não sabe o que fazer?’

Eu na viagem que fiz à Chapada dos Veadeiros, ano passado!
Eu na viagem que fiz à Chapada dos Veadeiros, ano passado!

Faz quase dois anos que posto semanalmente, quase religiosamente (exceto uma ou outra semana de correria), os depoimentos que colho por aí sobre o sentido da vida. Já foram mais de cem.

E faz exatamente esse mesmo tempo que me pego tentando explicar às pessoas, amigos, familiares, colegas de trabalho, ex-namorados (que talvez chegaram e se foram sem entender), entre outros, o porquê desses relatos.

Aí eu escrevi um livro com os depoimentos. Nas entrevistas sobre a coletânea, de novo a pergunta: por que você começou a fazer o blog? Por que questionar o sentido da vida?

Bom… Difícil pergunta. Costumo responder com: “eu sempre me perguntei qual é o sentido da vida, mas só agora é que resolvi externalizar”. Ou: “é uma inquietação que sempre tive, aí resolvi perguntar às pessoas para saber se elas também se questionavam”. Há ainda: “como eu não sabia, resolvi perguntar para os outros para saber se eu descobria a minha própria resposta.”

E tudo isso é verdade, mas não é só isso.

Esses dias eu me peguei pensando: “será que eu já consegui explicar direito? E será que tenho a resposta exata?”

A verdade é que hoje me deu vontade de colocar em palavras pensadas (porque escrever é diferente de falar) uma resposta.

Caras pessoas que chegaram até aqui na leitura: me deu ‘tilt’. Sabe quando você está fazendo um monte de tarefas ao mesmo tempo no computador, automaticamente, e aparece aquela tela azul?

É isso. Eu paralisei. Dei ‘tilt’. A máquina pifou. E de repente nada mais na minha vida tinha sentido. Uma razão de ser. Um para quê. Um por quê.

Oras, fico sem entender quem não me entende... Vai me dizer que é bacana acordar todo dia, sair correndo sem conseguir tomar café, ficar preso no trânsito (ou preso na estação de trem, sem conseguir entrar no metrô, ou de pé dentro do ônibus). Demorar horas para chegar ao trabalho. Passar o dia todo trabalhando de forma corrida e sem tempo para pensar direito, reproduzindo informações que chegam prontas e você mal digere e reflete antes de passar para a frente (levando em conta que a sociedade conectada quer tudo em tempo real, o tempo todo – queria que todos dessem ‘tilt’ também, sério!).

Aí, passado o tempo de trabalho, você volta pra casa (o mesmo congestionamento, o mesmo trem lotado). Chega horas depois e precisa correr contra o relógio para, agora sim, começar a viver nas poucas horas que te restam!!

O corpo e a mente estão cansados. Querem dormir. Só que você precisa se exercitar para não adoecer, não ter dores na coluna, evitar a hérnia de disco ou todas essas coisas ruins que as pessoas que passam por aquela rotina estressante que descrevi acima costumam ter.

Bom, eu sou daqueles que vencem a preguiça e vão à academia (porque eu conseguia, por sorte, pagar uma). Me exercitava e jogava pro alto todo o estresse. Maravilhoso. Só que lá já se tinham ido mais duas horas do meu dia…

Aí é o momento de voltar pra casa, fazer janta, lavar louça. Tomar banho e dormir porque no dia seguinte tinha tudo de novo. Tá… Claro que tinha dias que eu trocava a academia pelo cinema, pelo bar com amigos. E no final de semana vinha a recompensa: eu podia sair ou descansar (quando não estava de plantão). E eu tinha férias programadas uma vez por ano, olha só que maravilha!

Aí você pode dizer: “garota, que vida boa você tinha, está reclamando? Quanta gente sem emprego, passando fome. Olha só ao seu redor. Gente que não teve a oportunidade de estudar. Pessoas que trabalham bem mais por muito menos. Olha para os países da África, os refugiados, os sem-teto. Não precisa ir longe, olha a periferia de São Paulo…”

E eu respondo: “Justamente! Então qual é o sentido de tanta desigualdade? E outra, então eu estou aqui gastando o tempo todo da minha vida para viver maquinalmente, ter meu ganha pão e viajar uma vez por ano, enquanto está acontecendo tudo isso no mundo e eu sem poder fazer nada. Qual é o sentido disso? (é claro que todos podemos fazer a nossa parte sobre algo que nos incomoda. Não vou entrar aqui nesse amplo assunto porque dá pano pra manga).

Agora eu chego no meu ‘tilt’: no fundo, nada disso faz o menor sentido mesmo. Viver na sociedade atual não faz sentido! E aí vem a pergunta filosófica que sempre carreguei comigo: e qual é o sentido final de tudo isso? E não me venham os religiosos com suas respostas prontas porque que elas não me convencem. E não me venham cientistas falar do big-bang porque não há prova de partícula alguma!

Fora isso, o grande problema é que, no meu caso, ir seguindo na vida sem questionar o porquê também já não fazia sentido…

Pifei mesmo, sem vergonha de dizer. E dei pane por não saber para onde ir, por que ir e se devo ir!

O que fazer quando você não sabe o que fazer?

De lá para cá eu já deixei emprego, vendi carro, abri mão de apartamento, voltei pra terapia, frequentei grupos de yoga, comecei a fazer meditação, fui a templos budistas e a retiros espirituais. Escrevi um livro. Lancei o livro. Entrei num curso de filosofia e estudei escritos de Nietzsche (confesso que me perdi por aqui e preciso ler mais pra conseguir assimilar tanta sabedoria). Iniciei e tranquei um mestrado. Cortei gastos pela metade. Me inseri em voluntariados.

Ouvi da minha terapeuta que poderia estar com depressão… Pudera, fazer tanto e não achar resposta?

Mas eu resisti. Passei a ir a parques com maior frequência e hoje abraço árvores para roubar suas energias. Faço exercícios diários de respiração. Tomo fórmulas homeopatas. Corro no bairro (porque a grana da academia acabou) e produzo minha endorfina diária. Virei empreendedora e criei um trabalho que faz todo o sentido pra mim. Tenho um foco e um objetivo com ele. Voltei a prestar serviços como jornalista feliz da vida (em outros esquemas e parâmetros, mas sempre consciente do “por que” e do “para quê”).

Nessas de não ter respostas, até na meditação da Loba na noite de Lua Cheia eu fui. E uivei aos astros pedindo “clareza”. Minha família é super religiosa e lá todos rezam insistentemente para eu “achar o sentido da minha vida” (desde minha avó materna, evangélica, à minha vó paterna, que é católica fervorosa).

Podem me chamar de romântica. De poliana. De utópica. De ingênua. Mas sinto que estou cada vez mais perto de achar meu sentido da vida. E buscá-lo está passando de fardo para uma diversão! Cheguei a tal ponto que consigo escrever sobre isso sem medo de ser feliz. Sabe onde tenho certeza que ele está? Dentro de mim. Onde sempre esteve desde que nasci.

O sentido da vida tem tudo pra ser essa força que a gente encontra todos os dias pra levantar e fazer o que nos move. A gente só precisa ter o trabalho de resgatar a força e o que nos move diariamente, com consciência, porque num piscar de olhos eles podem ir embora…

Eu lembro que por um tempo eu levei a minha vida com o lema que “Alice no País das Maravilhas” ouviu do Coelho Maluco: “quando não sabemos qual é o caminho, qualquer caminho serve”.

E aí a gente pega o caminho mais fácil e descobre que não era o certo. E não faz mal, é só voltar e pegar o outro. Como saberíamos que não era aquele se não tivéssemos pegado a primeira bifurcação? E sei lá quantas outras podem aparecer. O esquema é seguir em frente.

Tem um poema de Sérgio Vaz que é o seguinte: “Se você faz tudo sempre igual, é seguro que nunca se perca, mas é possível que nunca se ache.” Caiu como uma luva!

Recentemente uma amiga me perguntou, numa entrevista: o que você vai fazer se não descobrir o sentido da vida?

Pensei, pensei, e respondi: Bom, dizem que quem procura acha. Dizem também que “só termina quando acaba. Se não acabou ainda, é porque não chegou ao fim…”

Então, acho que é isso… Vou seguir procurando!

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16 comentários

  1. O sentido da vida é o mesmo que as pessoas antigamente sabiam, amar a Deus sobre todas as coisas e fazer sua Santa vontade e tentar viver isto. Mas o materialismo em que vivemos atualmente nos deixou muito pobres interiormente e nos perdemos no caminho. Também fiz estás coisas que você fez para tentar encontrar o sentido da vida. Tente acessar as aparições de Jacareí.

  2. Olá Gabriela, nossa o que você escreveu acima descreve muito bem a fase em que me encontro, chega a ser engraçado, rsrs! É um momento que traz muita angustia e ansiedade, um momento em que você chega a pesquisar no google “O que fazer da vida” rsrsrsrsrs e descobrir seu blog foi uma dessas buscas no google, rsrsrs. E ir descobrindo que essa busca pelo sentido da vida não é só minha já gera um grande alivio porque então você deixa de se sentir “esquisita”.

  3. Acabei de te encontrar pelo grupo do Yoga ao ar livre 🙂 Me identifiquei muito com essa sua procura, alias com a nossa procura no sentido da vida. Vou continuar acompanhando tudo por aqui. Um forte abraço, Himmel.

  4. Olha Gabriela gostei muito do seu relato.Achei que haviam poucos pessoas que sentiam exatamente como eu.Já cheguei a achar que o sentido da vida poderia estar na vida vida religiosa e me preencher esse vazio e essa angústia que não é de hoje.Mas descobri q não era isso,- é algo muito mais.Pior de tudo é quando desistimos da busca e ficamos meio que perdidos.Um abraço

    • Olá, Sadi! Obrigada pela sua mensagem. Eu também cheguei a pensar que poucos se sentiam assim, até que externalizei e encontrei vários que pensam o mesmo… Fiquei curiosa, ainda está buscando? Obrigada, grande abraço!

  5. Eu achei que fosse a única pessoa que pensava dessa forma, devido a rotina acabei esquecendo , obrigado por me ajudar a lembrar. Assim como você irei procurar o sentindo da vida .muito obrigado 😊😊

  6. Seu texto alcançou uma profundidade imensa, parecia que estava lendo um texto sobre meus questionamentos mais intimos. A questão é continuarmos a busca espiritual até um dia que todas as perguntas possam ser respondidas por nosso ser autentico, é só irmos em direçao ao nosso centro, quem sempre fomos.

    • Oi, Matheus! Que lindo seu comentário, obrigada por compartilhar sua sensação comigo! E sim, eu acho que você está certo, sim. Vamos seguindo, né? Uma hora a gente chega! Grande abraço ❤

  7. Desculpe, não li até o fim, mas queria deixar registrado que hoje(nesse exato instante), para mim não há sentido nenhum na vida e que criamos, “estórias” para nos confortar, porque o nosso fim é insuportável. Agora é o que me faz sentido.
    Ana Monteiro

    • Oi, Ana, tudo bem? Imagina, leia quando der tempo! Eu entendo perfeitamente a sua sensação e confesso que não foram poucas as vezes que senti o mesmo. Mas, se isso te conforta, quanto mais eu busco, acabo encontrando sinais que me provam o contrário! 🙂 Obrigada pela mensagem, Grande Abraço ❤

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