Qual é o sentido da vida? Uma pergunta que, cedo ou tarde, ocorre a todos nós

Qual é o sentido da vida?

Qual é o sentido da vida? Acredito que, invariavelmente, esse questionamento ocorra a todos nós em algum momento da existência. Certa vez, ele chegou até mim e, sem uma resposta, fiz a pergunta a mais de 100 pessoas. Compilei os relatos neste blog e num livro, publicado em 2015. Hoje, cinco anos depois, aconteceu de duas pessoas me perguntarem, no mesmo dia, a conclusão que cheguei com o projeto. Percebi que ainda não sabia formular uma resposta e resolvi organizar minhas ideias neste texto.

Em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), inclusive, creio que a dúvida tenha nos ocorrido com maior frequência, apesar de eu achar que ela valha para qualquer momento.

A primeira reflexão que me surge quando penso no sentido da vida atualmente é que existem duas maneiras de analisar essa questão:

  • O sentido da vida particular de cada um de nós, que escrevo aqui com letra minúscula: vida.
  • O sentido da Vida como um todo, o significado da existência do universo, o esclarecimento sobre de onde viemos e para onde vamos: a Vida, com “V” maiúsculo!

Na minha opinião, as duas respostas são muito difíceis de serem encontradas, mas ambas são particulares a cada indivíduo.

Com relação ao primeiro aspecto, só você, dentro da sua individualidade, consegue identificar o que dá sentido à sua própria existência.

Da mesma forma, responder qual é o sentido da Vida no universo é algo que muitos já tentaram fazer, por meio de religiões, crenças, dogmas e da ciência. Mesmo assim, duvido toda vez que alguém chega com uma resposta definitiva. Acredito que o ideal é cada um de nós ter acesso a essas diversas vertentes e formular sua própria resposta – se é que somos capazes de fazer isso com as informações que temos disponíveis hoje.

Qual é o sentido da Vida?

Muitos dizem que o sentido da Vida como um todo é um mistério. Outros afirmam que pode ser sentido dentro de nós mesmos. Há quem o relacione à existência de Deus; outros, ao choque de partículas. O debate entre fé e ciência é tão amplo que não me considero apta a fazer o devido aprofundamento neste texto. Apenas reflito: por que as duas coisas não podem caminhar juntas? Elas não são antagonistas, fé e razão apenas são departamentos diferentes dentro de nós. O desafio é conseguir fazer os lados emocional, espiritual e racional trabalharem bem juntos. 

Portanto, penso que todas as buscas pelo sentido da Vida como um todo, seja por meio da ciência, da religião ou da arte, nos levam ao mesmo lugar: somos seres humanos à procura de uma resposta a algo que todos, sem exceção, nos questionamos. De onde viemos?

Falando particularmente sobre mim, não tenho uma resposta a essa pergunta maior. Apenas lapsos de sentimentos que me surgem durante meditações ou em momentos raros de insights.

Agora, sobre a outra resposta, a individual, fiz um compilado interessante ao final do livro Uma coletânea de sentidos da vida. Antes de compartilhá-lo, resumo que, de lá para cá, fiz muitas buscas pessoais na tentativa de encontrar o sentido da minha própria vida. 

Depois que lancei o livro, interrompi o ciclo de perguntar aos demais e fui atrás de encontrar o meu próprio sentido. Nada aconteceu de forma tão consciente assim, mas a verdade é que eu estava, sem dúvida, procurando uma resposta. Minha história é repleta de altos e baixos e registrei fragmentos em um artigo ao Projeto Draft (clique aqui para ler). Não quero aprofundar este texto sobre a minha busca em sim, porque na verdade a resposta ao sentido da vida é particular a cada um de nós. 

Qual é o sentido da vida?

Como eu ia dizendo, no livro compilei as respostas das pessoas sobre o sentido da vida. Dividi-as em seis capítulos temáticos, agrupando as que eram similares entre si. São eles: “Amor”, “Curtir e aproveitar”, “Deus”, “Família”, “Evoluir” e “Sonhar e trabalhar”. Se você quiser conhecer cada um dos depoimentos, veja na seção Histórias de Vida deste blog. Ao final da obra, fiz um posfácio com uma espécie de conclusão de tudo o que havia compilado até então, incluindo leituras e pesquisas com especialistas. Compartilho a seguir.

Posfácio do livro Vidaria:

Filosofia de vida

“Eu não faço a menor ideia se um dia descobrirei qual é o verdadeiro sentido da vida, mas posso afirmar, ao menos, que fazer essa pergunta a tantas pessoas modificou completamente a forma como eu enxergo a existência. Afirmo, sem hesitar, que não sou a mesma pessoa que começou este projeto.

Só que lidar com essa mudança não tem sido nada fácil. Uma das principais dificuldades, que passo a encarar como desafio, é justamente conseguir expor, com palavras, essa reviravolta. 

Vou me esforçar ao máximo para conseguir fazer isso nas poucas páginas que me restam neste livro. Afinal, é a chance que tenho de passar adiante o que encontrei.

Gostaria, caro leitor, que você tentasse se colocar no lugar de cada um dos entrevistados nesta coletânea – vá lá, ao menos nos das histórias que considerou mais impactantes. 

Imagine que, de um dia para o outro, você pode ficar cego. Ou perceber que é homossexual e ter que encarar o preconceito da sociedade. Pode contrair HIV por transar sem camisinha. É possível, ainda, que encontre amanhã o amor da sua vida e largue tudo o que antes era mais importante para só para viver ao lado dessa pessoa. De repente, se dá conta que a profissão que escolheu não é o que imaginava e precisa de coragem para jogar tudo para o alto. Ou chegar perto dos 100 anos, olhar para trás e pensar, para que valeu isso tudo?

É claro que é impossível sentirmos o que esses entrevistados sentiram e sentem. Contudo, ao conversar com cada uma dessas pessoas eu, de alguma forma, me coloquei no lugar delas por algumas horas. Senti um pouquinho dessas dores e alegrias. Fui impactada por elas.

Esse impacto, em primeiro lugar, me deixou mais sensível para perceber que tudo na vida pode mudar de um minuto para o outro. De que não temos controle de nada e, apesar de todos nós sabermos disso, insistimos em agir como se não soubéssemos. 

Notei, também, que o sentido da vida das pessoas é bastante parecido, por mais que suas histórias sejam completamente diferentes: amar, estar com quem se ama, fazer o que gosta, ter fé, aprender com os erros, aproveitar cada momento, sonhar e lutar pelo que queremos.

Constatei, ainda, que a nossa existência não é justificada por bens materiais, dinheiro, sucesso, poder ou fama, apesar de as pessoas buscarem constantemente essas coisas.

Além das entrevistas, contudo, busquei entender mais sobre o assunto. Pesquisei, li, ouvi especialistas. Amigos também me ajudaram, enviando sugestões de leituras, filmes, reportagens, entre outros.

Aos poucos, fui fazendo conexões entre as informações ‘empíricas’ e as teóricas. Uma das primeiras pesquisas que tive acesso foi um estudo que analisou citações de quase 200 personalidades sobre o sentido da vida, entre eles Einstein, Gandhi, Dalai Lama, Janis Joplin, Freud, Kafka, Simone de Beavouir e Nelson Mandela. Chama-se: What Eminent People Have Said About The Meaning Of Life, publicado na revista britânica Journal of Humanistic Psychology em 2003, e coordenado pelo professor de psicologia da Universidade do Estado do Arizona, Richard Kinnier.

O trabalho chegou a uma lista de 10 principais sentidos da vida. E eles não são muito diferentes dos seis temas que dividi por capítulos aqui no livro. Está na lista do estudo, por exemplo, itens como: ‘A vida é para ser desfrutada’, ‘Amar, ajudar ou servir ao próximo’; ‘Servir e adorar a Deus’ ou ‘Evoluir como pessoa ou como espécie’.

É de Einstein, por exemplo, o seguinte ponto de vista: ‘Somente uma vida vivida para os outros é uma vida que vale a pena’, diz a pesquisa. Da mesma forma, uma mulher-seta (que ficam na rua segurando placas de lançamentos imobiliários) me disse que o sentido da vida dela era ‘ser útil’, pois ajudava uma sobrinha a cuidar do filho que tinha deficiência física.

Janis Joplin, por sua vez, falava: ‘aproveite sua chance enquanto puder’. Uma moça que distribuía panfletos no farol me respondeu que o sentido da vida é ‘se divertir’.

Certa vez, marquei uma entrevista com o filósofo e psicanalista Arthur Meucci, após eu ler o livro dele e do professor Clóvis de Barro Filho chamado A vida que vale a pena ser vivida – o livro explica de uma maneira didática como filósofos avaliam uma ‘vida boa’.

Na conversa, Meucci explicou que a existência ou não de um sentido para a vida é vista de forma muito diferente, e até antagônica, pelos filósofos. ‘Aristóteles acredita que há um lugar para as pessoas no mundo e por isso cada um pode achar um sentido para a própria vida. Nietzsche e Schopenhauer simplesmente dizem que essa resposta não existe, não aceitam a pergunta e já a negam, de início’, afirmou.

O livro traz esses pontos de vista para tentar auxiliar o leitor a achar a forma de encontrar uma vida boa. A regra também vale para o significado da existência de cada um. ‘É uma coisa meio pessoal daquilo que culmina dentro de você, daquilo que você gosta de fazer, aquilo que você se sente feliz, aquilo que passa um propósito da existência.’ 

Mais ou menos na mesma linha cito um pensamento do psiquiatra Flávio Gikovate, que vi em um vídeo no YouTube. ‘O verdadeiro sentido da vida nós não saberemos, cada um é livre para construir o seu sentido’. Ele avaliou que o fato de a gente não saber responder a essa pergunta nos dá todas as condições para a liberdade individual, para a gente inventar criativamente um jeito legal de viver. Afinal, se não há sentido algum mesmo, o melhor a fazer é criar um que mais agrade.

Até quem nunca parou para pensar no sentido da vida o busca, de acordo a professora de psicologia da Universidade de São Paulo (USP), Maria Júlia Kovács, numa entrevista que fiz com ela por e-mail. ‘Algumas pessoas buscam o sentido em outras pessoas ou em situações. Outras buscam internamente, o que é muito importante.’

Em todos os casos, os especialistas afirmaram, contudo, que ter um sentido para a vida é essencial para não cair em depressão, para não ficar desanimado, ‘chororô’. Afinal de contas, sem motivos, a vida não tem mesmo a menor graça. 

O psiquiatra austríaco Viktor Emil Frankl, por exemplo, foi a fundo nessa questão. Sobrevivente de quatro campos de concentração nazistas, ele afirma que todo ser humano busca um sentido para a vida. Para ele, quando a pessoa tem um ‘para que’ ou ‘para quem’ viver, fica mais forte para superar adversidades. Essa tese foi atestada por ele entre os prisioneiros dos campos de concentração: ter um sentido para a vida era importante para não se entregar à morte. 

Só que muitas vezes, encontrar qual é de fato esse sentido da vida é que pode ser o grande desafio. De acordo com os especialistas, essa busca deve ser feita por cada um dentro de si mesmo, nas coisas que gosta de fazer e nos momentos que causam alegria. 

Certa vez, li um texto na internet com o título: ‘A vida não tem mais sentido porque paramos de sentir’. Não exitei e enviei um e-mail à autora, a jornalista e coach Mariana Viktor, com o título: ‘Como eu sinto?’. Ela me respondeu que, para “sentir”, às vezes precisamos tirar o foco somente da nossa mente – ou seja, do que pensamos. ‘Outras partes nossas também têm funções importantes: as sensações físicas, a intuição, os sentimentos e emoções.’ 

Depois de tanto pesquisar e escutar pessoas, deparei-me com a seguinte indagação: ‘por que sofrer e perder meu tempo com o que não me faz bem, se sou eu que mando em mim mesma?’

É claro que uma coisa é ter consciência de que somos nós mesmos que damos o rumo para a nossa vida. Outra totalmente diferente é assumir a responsabilidade disso e começar a agir em busca do que queremos. 

Agora, leitor, eu gostaria que você pensasse sinceramente no seu caso: quantas vezes não se pegou fazendo algo que sabia não ter o menor sentido, mas era difícil interromper? Há inúmeros exemplos: relacionamentos que não dão mais certo e insistimos em continuar. Uma paixão não correspondida que nos machuca, mas alimentamos. Aquele emprego que já não satisfaz. Intrigas com familiares alimentadas por orgulho.

Em uma das entrevistas mais marcantes que fiz, um senhor pernambucano, aos 84 anos, deu a seguinte declaração sobre o sentido da vida: O tempo passou e eu vivi sem viver, entendeu?‘. Ele se lamentava por nunca ter aproveitado a vida, por ter passado os anos cumprindo responsabilidades. 

Não sei se consegui expressar exatamente tudo que coletei após começar a minha pesquisa. Mas o que de fato fez eu mudar minha forma de ver o mundo é perceber que, no fundo, todos estamos no mesmo barco, só queremos ser felizes. Apesar disso, muitas vezes vamos contra o que queremos, tomando atitudes opostas a essa felicidade – e que ainda nos fazem sofrer.

Sabemos o que mais importa. Mas então, por que não colocamos em prática? Se a família é o que dá sentido à vida, porque muitas vezes temos tão pouco tempo para ela? Se é fazer o bem, por somos tão egoístas? Se é aprender com os erros, porque nos frustramos tanto quando erramos? Se é lutar pelos sonhos, porque os deixamos em segundo plano? 

No fundo, questionar o sentido da vida despertou em mim a vontade de ser uma pessoa melhor.

E não cheguei a essa conclusão sozinha, mas com base no que disseram os entrevistados. Ficou com alguma dúvida? Basta reler as respostas dadas à minha pergunta.

E sinto decepcioná-lo, caro leitor, caso esperasse chegar ao fim deste texto com a minha conclusão sobre o sentido da vida. Não, eu não tenho a resposta. Confesso, entretanto, que ficarei bastante feliz se conseguir passar adiante ao menos um pouquinho da minha inquietação. Espero que eu tenha obtido êxito.” 

O problema não é inventar. É ser inventado 
hora após hora e nunca ficar pronta nossa
edição convincente.


(Carlos Drummond de Andrade)

O sentido da vida por meio da escrita

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3 comentários

  1. Que maravilhoso seu trabalho Gabriela, adorei! fantástica sua jornada relatada no projetodraft, me identifiquei bastante. Assim como você tenho a inquietação de entender o sentido da vida. Acredito ter encontrado uma resposta definitiva que converge com seu Livro “Vidaria, uma coletânea de sentidos da vida” em especial com o grupo de pessoas que acreditam ser a “evolução” o sentido da vida. Eu consegui explicar e validar essa resposta como correta com base no que chamo de Teoria do Infinito Bilateral em minha página na internet. Como você entrevistou esse grupo de pessoas tenho a lhe indagar sobre como era o humor predominante dessas pessoas (feliz, triste). Atualmente estou escrevendo sobre a definição das emoções, e as respostas estão convergido no sentido de que as emoções são uma espécie de resultado guia que conduz rumo à evolução, onde a felicidade indica evolução portanto sentido à vida e a tristesa indica retrocesso ou estagnação e portanto sentido à ausência da existencia: processo de seleção natural baseado em nossas escolhas. E então Gabriela, você se recorda do estado emocianal predominante desse grupo de pessoas que acreditam na evolução como sentido da vida? sua resposta será de grande valia, agradeço desde logo seu brilhante trabalho à humanidade e não hesitarei em citar seu nome como colaboradora. Grande Abraço!
    https://davipinheiro.com/qual-o-sentido-da-vida/

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